quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Janelas e visões

Às vezes
Meu corpo é casa
E os olhos são janelas
E olho o mundo 
De dentro de mim
E me sinto à margem do mundo
Como todos os poetas marginais 
Dentro de mim fico tranquilo
Seguro
Se te convido pra entrar
É porque te amo
E quando saio
Boto uma roupa confortável e vistosa
Tipo um terno verde limão
Impenetrável tal qual armadura
Combinando com meu sorriso amarelo
E procuro interagir
Sei que ninguém quer saber
Do que há lá em casa
Mas pode ser que alguém goste:
Um LP do Pink Floyd
Um k-7 do The Smiths
Um velho quadro estrelado
Um cão híbrido de dragão
Café com queijo e balanço de rede
Uma velha edição de Flores do Mal
Em cima da mesa
Um potinho de carinho
Devemos receber bem as visitas
Poderia recitar poemas
Mas sempre ofereço água gelada
Ou um café bem quentinho
Depois do trabalho
Depois do bom combate
Depois da tempestade
A sensação de chegar em casa
Não cabe num poema
 

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