quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sobre o agora

Sobre o agora
Sobre o homem e sua hora
Sobre Mário Faustino
Sobre o passado
Escrevemos sobre o que se sente
O que é silente
Tempo presente
E o homem do meu tempo
Não tem mais uma hora
Só tem um momento
Só tem um instante
Tudo é tão rápido agora
E o amor eterno ficou 
                                         meio que
                                                         incompatível
Com nosso tempo
E a grande verdade 
É  que o amor eterno
Nunca existiu
Nemo dat quod non habet
Hoje esse poema 
Não será do leitor
Será só meu mesmo
Do meu instante
E dos meus transtornos quantitativos dos afetos
De um instante meu
De um instante 
Pujante 
Pulsante
Delirante
O filósofo falou
Os homens criaram Deus
O poeta falou
Os homens criaram a morte
Mas quem criou o instante?
O amor por um instante
A dor por um instante
O riso por um instante
O choro por um instante
Hj o sol nasceu
E por um instante
O dia é um leão faminto
A me morder na nuca