quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sandman - Estação das Brumas (capítulo 4)

Acho que foi um sonho
Vermes cor de sangue
Comiam o meu braço
Eu fugi gritando no campo
Esqueletos de pássaros
Caindo do céu
Pássaros mortos tentando voar

Mortos que nos observam severamente
De retratos dependurados 
                                        e empoeirados...



Uma mosca
Uma vida inteira 
28 dias
O Carpe Diem faz mais sentido a cada dia, mas o mundo não o permite, o sistema não autoriza, as crenças adquiridas o abafam; e tem o medo; sim, o medo, o medo paralisante que nos impede de nos libertar, o medo que afoga os afogados. É preciso ir além do aquário, de beber o Graal, de sorver o elixir da longa vida, essas coisas não nos interessam mais, não se aplicam a nós...
Ou
Ou o quê?
Ou
Ou o quê?
Carpe Diem, aproveitar o dia, aproveitar a vida. Rimbaud associava sons a cores e o que eu não sabia era que Jimmy Hendrix também fazia isso, associava sons a cores, o que nos falta descobrir antes de morrer? A morte é muito limitante. Concordo com Hendrix: a morte se aproxima numa neblina roxa, púrpura, violeta, detesto essas cores também, por isso vc está pedindo socorro, mas quando vc estava morrendo ninguém entendeu a Purple Haze então ninguém veio lhe socorrer... Rimbaud já tinha dito que o fim, o ômega, é um raio violeta em seus olhos...

Farei um poema roxo !!!




Uma neblina púrpura endêmica
Peste bubônica, epidêmica
Peste roxa
A neblina se aproxima
Uma vagarosa ampulheta violeta
Contemplando teu sexo
De tons róseos mórbidos
De um roxo bem escuro
Um soco bem abaixo dos olhos
Tem um tom roxo anil brilhante
Vejo algo se movendo na Bruma 
Espectros amarelos e escarlates
Devem ser a alegria e a paixão
Difícil de ver
Podem ser caramujos ultra violetas
Violetas, violências, violações
Pois bem
Enquanto não vejo a Bruma roxa
E o ômega advir
E as violetas flores lilases
Por sobre a lápide
Flutuar e cair
Me abraçarei com os espectros coloridos
Dançarei com o amarelo
Num simples sorriso e alegria
Beijarei o vermelho
Que o meu lábio mordia
Flutuarei com o azul claro
Azul céu de meio dia
A esperança é verde
De que teremos mais um dia
E viveremos algo novo
Quando vivermos o que queremos
Vivermos com o que amamos
Vivermos o que sonhamos

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sandman - Estação das Brumas (capítulo 3)

As aves fantasmas 
Pousam em seus ombros
Pensamento e memória
Um copo de verso
E loucura


Há tanto queremos 
O que todos querem
Mas nem todos conseguem
O poeta do inferno
Na completude do signo
Em forma e idéia
Entre conjecturas e contradições
Entre versos e maldições
Entre madrigais e madrugadas
Bruma, Bruma, Brumas
                                     Brahma gelada]
Não saber o que quer
É barco na tempestade
Um barco de William Turner
Rumar sem destino
É encontrar-se com a morte
Sabe, peixinho dourado
Me disseram uma vez
Não há vento favorável
Pra quem não sabe onde vai

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sandman - Estação das Brumas (capítulo 2)

MOTE
Me deram a chave do inferno
A do céu eu já tinha
Mas não sabia


 
VOLTAS
Há um vento soprando entre os mundos
Um vento frio
Ele grita silenciosamente 
Através dos lugares vazios...
O vento do nada
Viajando sem viajar
Na desolação não criada
Sinto frio
Fazemos o que devemos 
As brumas começam a partir

É sempre uma escolha
Plantar uma semente
Dobrar à direita
Ou seguir em frente

É sempre um destino
No local de batalha
Sucumbir ao medo
Ou lutar covardemente

É sempre um preço a pagar
Pela vitória, pela maldade, pelos erros
A salvação da alma é gratuita
É dom de Deus, graça divina

É sempre a dúvida
Se escolhemos um pálido arco-íris
Ou se cumprimos o karma humano
O karma dos vermes cadáver

É sempre a vida
Não é uma batalha
Apenas vivemos lutando
Vencendo tudo, atrás de nada