segunda-feira, 18 de julho de 2016

Precisando de atenção

Botando as coisas pra fora
E botar pra fora
As coisas que estão dentro
Figuras horrendas do subconsciente fiquem onde estão
Palhaços assustadores
A escuridão completa
Crimes sexuais
Todos os fracassos
E filmes de terror
E outros

No mundo exterior
Ando por aí
Por acolá
Catando lixo
Não lixo, lixo, lixo, lixo mesmo
Catando o que jogam fora
O que não usam mais
Catei pelo mundo
E levei, lavei e guardei
Um cofrinho quebrado
Cheio de sonhos ainda
Pássaros esperançosos
Cadeiras preguiçosas
Couves-flores
Buquês de flores
Só os Buquês de flores meio murchos revelam a essência da paixão
Sapatos velhos que andaram em tantos lugares
Existem outras pessoas
Procurando como eu
O que ninguém mais quer
Um pouco de gentileza
Uma ficha telefônica
Por aí, catando, reaproveitando
Reciclando
Cato qualquer tipo de amor que achar
Pode estar velho
Quebrado
Ultrapassado
Cato toda migalha de amor
Em olhares, sorrisos, apertos de mão, abraços, beijos, palavras suaves...
Quem já catou o amor num olhar materno?
Certa vez, achei um gatinho de plástico chinês
Que sorte!
Não mexia a pata
Então não servia
Gatinho de plástico chinês
Onde estão seus donos?
Por acaso, estás como eu a procurar?
Uma casa-corpo para te abrigar?
Te levarei comigo
E se gostares de mim
Nos completaremos
Estou meio quebrado agora
Mas ainda posso servir

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