terça-feira, 20 de outubro de 2015

Desejo silente

Há muito que não escrevo
Há muito tempo
Há muito o que escrever
O tanto da vida
Até onde o sopro de vida for
Mas eu sinto
Sinto uma pequena brasa
Que está sob o pé
Um desejo silente de escrever
De ver um poema nascer
Porque ainda sinto
Ainda sinto 
Todas as dores
E amores
E tremores
Enquanto viver
Terei que escrever
E não importa se é bom ou ruim
Isso é uma questão de relatividade
E há tantas coisas 
Isentas de relatividade
O primeiro choro ao nascer
O último suspiro ao morrer
Borboletas azuis nos campos de girassóis
Quando quase beijamos pela primeira vez
Um casal idoso
A cura de um leproso
Se eu conseguisse ver um anjo
E se eu voasse entre arco íris
E poemas marginais que voam
À margem de toda estilística
Hj pensei muito em vc
Na vida sem vc
Em sentimentos silentes
E por que todo amor verdadeiro
É negar a si mesmo
De forma silente egoísta e contraditória
E negar o que sentimos
Pra ficar com quem amamos
É a forma mais vil de egoísmo
O amor é silente baby
Caracóis que se movem
Como o sexo matinal
E meu desejo guardar
Por trás do meu olhar
Pra vc descobrir