terça-feira, 9 de setembro de 2014

Esperando...

Há muito espero pelo amor
Desde o nascer das eras
Do surgimento das moneras
Do primeiro grito de dor

Como a rocha 
Espera a onda
Quem aborta
Espera a sonda
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que ainda não era
Desde a primeira primavera
Em que morreu a prima flor

Como o doente
Espera a cura
E a serpente
A noite escura
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que uma vil quimera
Me deu o bote da pantera
E me acompanha aonde eu for

Como a presa
Espera a fera
E o dente
A dilacera
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Ouvindo blues em gramophones
Compartilhando em i-phones
Quem eu era e quem eu for

Como o feto
Espera o parto
E o obeso
O infarto
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Vi poema sem poesia
Sem a noite vi um dia
E arco íris de uma só cor

Como o inocente
Espera a forca
E o beijo quente
A fria boca
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que me sinto assim
Que falta alguém e algo em mim
Que se renova ao sol se pôr

Como o enfermo
Espera o anjo (que move a água)
E quem amou
O fim da mágoa
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

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