quarta-feira, 28 de maio de 2014

Once upon a time

Busquei a poesia loucamente
Bati na porta dos dragões
Levantei do abismo os alçapões
Saltei de sol em sol
Procurando a beleza tola
A que existe sem motivo aparente
Busco a poesia toda tola e inconsequente
Na profundeza escura do mar
Na luz intensa que cegou Paulo
Anseio pela beleza e pela poesia
Porque é sem porquê
Cacei a poesia nos bosques
Entre os faunos e bacos
E outras ilusões etílicas
Traguei café com haxixe 
E vislumbrei poesia vidente
Um relance de poesia 
De soslaio
A Poesia que sustenta
É a mesma que me mata
Leite materno envenenado
Um corpo quente
Macio e delicado
E me vejo feliz em teus olhos espelho
Viagens no tempo
A poesia não está no futuro
Nem no futurismo
Tampouco no passado
Quando crianças não sabemos
Se somos felizes ou não
Então busco a poesia no presente
E a me dou de presente
Depois de um exaustivo dia pós moderno
Trânsito stress trabalho stress má alimentação stress raiva diabetes e insônia
Stress  ambulâncias stress bala perdida stress frustrações desemprego e luto
Ódio
Stress Estress Estresse
Hoje achei um pedaço de poesia
No final da faixa de pedestre
Quase caindo no bueiro
Guardei-a rapidamente no bolso
E ao chegar em casa 
Me dei de presente
Orei agradecendo o jantar
Jantei
Fumei um pouco
Dormi um pouco em frente da tv
E em seguida
Antes de me deitar 
Comi aquele pedacinho de beleza que achei
Poesia que dissolve no céu da boca
Boca com luas e estrelas
Lembrei de aventuras da infância
De vitórias e aprovações que tive
De momentos doces com a família
De risos abertos com os amigos
Quatro estações e primavera de Mozart
Carpas coloridas
Perfume de Grenouille
Uma experiência espiritual
E me deitei tão feliz de estar vivo
E adormeci tão feliz ao seu lado
Que já não é tão bela quanto antes
Mas me ama muito mais 

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