sábado, 5 de abril de 2014

No final do poema, um pouco de poesia

Esfinge Estige Estigma Estigmata
Enigma que mata
O homem é a resposta do homem
Poemas que me matam
Me mutilam sutilmente
Ansioliticamente 
É o que sinto
Se for um poema de amor
Todo amor é platônico
Num plano inalcançável
Este é um típico estigma que mata
E assim os versos vão me mutilando
Os estigmas das plantas
Os estigmas das mulheres
Que recebem o pólen
Que recebem o sêmem
Sinto muito, peixinho
Não coloquei "poeta" no meu perfil da rede social
Poetas são lunáticos, esquisitos, lunatizados
Em resumo: estigmatizados
Mas indignos de receber os estigmas de Cristo
E por falar em lua
O pouco de poesia de que falei
Nos imagine na lua
Saltando de mãos dadas
Riríamos muito
Na gravidade zero
Sem russos ou americanos
Só minhas piadas sem graça
E meus trejeitos infantis
Na gravidade zero
Balas de borracha e coquetéis molotov
Pms e black blocs jogando beisebol
Na gravidade zero
Peixinhos coloridos flutuantes
Bebê flutuando na capa do Nevermind
Tudo é tão mais bonito
Na gravidade zero
Por do sol sem horizonte
Luz que se esvai sob a terra
Na gravidade zero
Temos mais de setenta anos
Somos imperfeitos
E foi assim que conhecemos o amor
E te beijo ardentemente
Só mais um ato de amor
Para depois assistirmos abraçados
Das penumbras da lua
Um lindo eclipse



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