segunda-feira, 24 de março de 2014

Sobre meninos e lobos

A poesia é a mesma
Desde sempre
Desde Aristóteles
Desde a arte poética
Desde a manjada dialética
Desde a maldita tetralética
Éramos lobos
Sob a ótica da semiótica
Por isso que falo de antigamente
E do que era diferente
Havia rima e gente inocente
Isso mesmo
Haviam lobos e meninos
Na verdade são a mesma coisa
Andavam em bandos
E acreditavam em algo comum
Uma verdade comum
Que o mundo era o mesmo pra todos
O que há hoje
São homens
Único animal 
Que extermina a própria espécie
Que parasita a própria espécie
Que come a carniça da própria espécie
Homens pós modernos
Tento me livrar com um poema
Dizendo a verdade do que sou
Que não sou nada 
Não tenho nada
A vida (até quando Deus quiser)
Tenho um pouco de amor no bolso
E sou poeta
Um cara estranho 
Que quando todos tentam brilhar
Me apago
Me desapego
Me afago
Me nego
Você não vai me reconhecer
Entre tristes transeuntes
Misturado entres os ausentes
Pareço cidadão comum
Atravessando a faixa de pedestres
Mas carrego uma bíblia na mochila
Enquanto ouço playlist do The Strokes
Já reparou que se dissermos - Eu te amo!
Com um olhar
A maioria das pessoas nem percebe







* Caiu um raio na central telefônica e fiquei uma semana sem net e fone fixo, mas vou fazer mais um poeminha esta semana pra me compensar.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Se o mundo parasse um pouco

Se o mundo parasse de girar
Só um pouco
É que tenho sonhos 
De louco
Que o sol não apareceu
Mas a noite não continuou
Céu nublado por dias e noites seguidos
Eu só quero parar um pouco
Tomar um rum de côco
Colocar açucar no maracujá e comer
Deitado numa rede balançando
Enquanto o mundo está parado
Você fica do meu lado
Calada
Mas eu sei que está me amando
É bom esquecer um pouco
Até de si mesmo
Se o mundo parasse um pouco
Eu pararia também
Mas sem morrer
Morte tem aquela coisa de viagem
E não quero viajar
Quero parar um pouco
E me sentir bem vivo

sábado, 8 de março de 2014

Porque você faz poemas?

Todas as crianças
Perguntam porque
Porque
Porque
Porque
Porque
Questão de fase
Hoje me pergunto o porque
De ter feito tantas coisas
Sem porque
O porque do poema
Já não importa
Para quem não leu a poesia
O porque do vício
E do que nos dá prazer
Já não importa
Porque estamos velhos
Somos Junkies peixinho
E tentamos nos livrar de uma vida fútil
Andando na água e no fogo
Sem um porque aparente
A imperfeição humana
A maldade humana
Já não importa
Não para os porcos
Então tudo bem se você se aceita assim
O porque de escrevermos porque
De várias maneiras
Já não importa 
É gramática sem porque
O porque do amor
Já não importa
O amor é sem porque
O porque da vida
Já não importa
Para uma estátua morta
E vemos o que importa
Quando a morte bate à porta
Estamos velhos 
E lembrando que os tempos mais felizes
Eram quando não importavam
Os porques


domingo, 2 de março de 2014

A mais pura mentira

Sabe coisas que coexistem incompatíveis
Tipo o amor e a mentira juntas irmanadas
Minta pra mim com histórias incríveis
Me faça feliz com falácias esfumaçadas

Quem ama não magoa com verdades plausíveis
Guarda a língua que corta tal espadas afiadas
E as críticas e correções duras e desprezíveis
Por amor, são no peito bem fundo guardadas

Não me oponho a correção materna ou de Deus
Só quero que não use a verdade dos erros meus
Pra me magoar, me machucar, deixar-me na estrada

E se teus pés no caminho forem pra longe dos meus
Faço um pedido depois do último beijo de adeus
Minta pra mim, que me amou e mais nada

Eu não escolhi amar

Eu não escolhi amar você tanto assim
Eu não escolhi amar você
Eu não escolhi amar tanto
Eu não escolhi amar assim
Eu não escolhi amar
Eu não escolhi