domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ab igne ignem

Em busca do fogo
Controle do fogo
Sonho antigo da humanidade
Noites quentes de Sodoma e Gomorra
Destruídas pelo fogo
Coquetel molotov
Rojão na torcida
Rojão no cinegrafista
Fogo na tv
A audiência pega fogo
Beijos quentes 
Uma lareira e um fondue
Calor e movimento dos corpos
Calor e movimento das partículas
Jimmy tocando fogo na guitarra
Nero tocando fogo em roma
Respiração combustão celular
(É o fogo da vida)
Foguete que sobe com fogo
Espírito que desce como fogo
Fogo da paixão
Aquece o coração
Ainda há aquela chama em mim?
Aquela que nos move
Que nos leva a fazer algo
Racionalmente sem sentido
A chama da vida
Em meu sofá
Enquanto penso no fogo
E na perigosa 
Combustão espontânea
(É o fogo da morte)
Faísca em meu peito
Um poema triste e frio
Enviado a todos
Por uma raposa de fogo


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Por amor

Mote

Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão


Voltas

Não há frase mais deprimente
Do que a pífia: Eu te avisei!
Mas se não tento, o que serei?
Não dói o amor que não se sente
Então, não tenha pena
Não dê carinho como um favor
Não quero ouvir nenhum sermão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão

Cansei de esperar, de esperar enfim
Vou sair do submundo onde estou
Sobreviver, não! Viver eu vou
Só vou gostar de quem gosta de mim
A quem me ama duas coisas
Sempre meu peito aonde for
Sempre estendida a minha mão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão

Parecem próximas as estrelas
Mas não verdade estão distantes
Sou uma estrela entre os infantes
Entre as pessoas, sem percebê-las
Posso estar só, mas ainda brilho
Faço poemas com minha dor
Existe charme na solidão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão





obs: Mais um vilancete em que uso versos de letras da música popular brasileira. E nesse momento, fiz essa brincadeira poética com as músicas por amor e só vou gostar de quem gosta de mim eternizadas na voz do grande intérprete Roberto Carlos.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Postergar


Poster Asgard Poltergeist Postergar
Semana passada não postei
Minha poesia semanal da semana passada
Um  velho hábito
Tão feio quanto o próprio nome:
Postergar

Nomes feios são tão anti poéticos
Mistura de anti ético com anti estético
Danem-se os hifens
Algumas coisas não são tão ruins 
Quando são postergadas
A hora da morte
A demissão do trabalho
O 11 de setembro
Uma invasão alienígena
A traição de um amigo
Um ataque inimigo
A extinção de uma espécie
Meu choro de arrependimento
O fim do mundo
Ou do nosso amor

Já-Nunca oposição semântica
Jamais
Nunca mais
Postergue a poesia
Postergue, que palavra horrenda!
Algumas coisas não podem ser postergadas
A poesia
O nascer do sol
A volta do Cristo
O choro ao nascer
O perdão ao morrer
O momento do orgasmo
O sorriso apaixonado
O brilho das estrelas
A benção materna
A vida eterna
Ou o solo de guitarra Free Bird
O vôo do pássaro livre
A chuva que finda um verão ardente
O sol que finda um inverno congelante
Um poema brilhante
O fim de uma guerra
O perdão a quem erra
Não se pode postergar o amor
Não se pode postergar o presente
A vida presente
O passado e o futuro
É o que fazemos agora
















obs: o rei Ezequias teve a hora da morte postergada por mais quinze anos. Nada mal, Héin?