segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Insight

Zumba Zmbido Zumbi
Ando no mundo
Como o mundo anda
Numa histeria controlada e latente
Vida cibernética
Estado letárgico
De um vício sintético
Açucar dietético 
(Mais um grande paradoxo)
Também ando assim
Como o mundo anda
Uma loucura controlada e aceitável
Quando toda loucura for aceita
Ela não existirá
Pois toda loucura legítima é inaceitável
Ontem enquanto esperava
Meu Rivotril fazer efeito
E ouvia uma música  Follow me
Uma música que fala de proteção
Em 45  rpm
E quando olhei pra vc
Lembrei que te amava
Que te amava muito
Não é que tivesse esquecido
Mas me veio essa lembrança na mente
Como um insight
Um insight paradoxal
De descobrir o que já se sabe
Tentarei me esforçar mais
A verdade é que amar demanda algum esforço
Não deixemos amor
O amor à margem do mundo
À margem da vida
Andando em nós por aí sob a pele
Sendo executado em segundo plano
Te amo
Apesar dos pesares
Te amo 
E tentarei vestir esse amor
Será vestimenta
Que andará comigo por aí
Será visível
Confortável
Me cobrirá
Me aquecerá
Me protegerá
E nas noites de chuva ou frio
Colocarei em você

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Unicornios&outrasdrogas




Passo um tempo
Às vezes
Sem poesia
Me falta uma parte de mim
Boa ou má?
Não sei
Maldito Platão! 
A tirar a beleza perfeita e insuspeita
Das coisas terrestres
Se não somos perfeitos 
Por que o amor seria?
Entre luzes de faróis
Os sons da cidade executam-se em uníssono
Já não me incomodam
Os cheiros degradantes
Das cidades grandes
Preto cinza branco
Efeitos degradês
Das cidades e das grades
E das ansiedades
De viver hoje o amanhã
Mas sou junkie peixinho
Fortaleço-me em ambientes hostis
Escrevendo
Sobrevivendo
Sobrescrevendo
Na metópole me disperso
Em longo wifi
Mas o que me completa ainda?
Faço uma palavra com letras do verso acima:
Dolantina
Poesia que alivia a dor
Isso mesmo peixinho
Por isso ela me completa
Vc já sabe 
É hora de poesia
De unicórnios e outras drogas
E enquanto a mente se contorse e dispersa 
Em distorções guitarrísticas do Kasabian
Acelero meu velho Mustang
Com a boca dormente
A olhar através dos meus olhos 
Como se eles fossem janelas
Ou uma câmera de baixa definição
Vc em meu peito
Faróis postes que passam
Vejo um balé de mendigos
Putas e fadas
As que voam e as que fazem voar
É óbvio
Obliviate que me faça esquecer
O mustang voa
Passo por meteoritos e cometas
Bêbados em andrômeda
Ei, garçom!
Há carpas e kings no meu drink
E haikais nos guardanapos
Não os leve
Só quero saber se foi eu quem os fez
O gelo derreteu
É fim do inverno
Voe mustang, voe!
Entre unicórnios
Vamos proclamar bem alto
A todos os orcs da terra média
Vcs podem ser bons
O destino final não importa
O caminho não importa
Como vamos não importa
Ou com quem
Só importa a escolha
O dever e poder de escolher
Tudo bem, mustang...
Se quiser
Seja unicórnio

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Avante, titãs !!!

Shingeki no kyojin


Hey, mãe
Eu tenho uma guitarra elétrica
E já não esquento a cabeça

Hey, mãe
O gigante Golias
O gigante Prometeu
O gigante de João
O gigante de Eren
O gigante de Jack
O gigante do Pão de açucar
O gigante interior
O gigante acordou

Hey, mãe
As metrópoles são gigantes
E todos os gigantes devoram pessoas
Eu olho as cidades
A devorarem as pessoas
Com violência
Com trânsito caótico
Com trânsito narcótico
Consumindo-as com consumismo
Com ansiolíticos e emsimesmismo
Com e sem maniqueísmo
Com ideologias e apologias
A população obesa
Parasitas do gigante
Em relação simbiótica
Simbiose
Pessoas, Predadores, presas  e parasitas
Os muros e as grades
As pessoas e as cidades

Hey, mãe
É por isso que prefiro sair à noite
O gigante parece dormir
E saio por aí
Com poetas, bichos, baratas, ratos
E outros bichos escrotos
Que ao gigante não interessa devorar
Metrópole, Erisictão é o teu nome

Gigante a alimentar-se de si mesmo
Simbioticamente
Eternamente

Tipo ouroboros

Hey, mãe
O gigante me dá medo
Por isso não desperto
Meu gigante interior
Poderia o peixe
Rebelar-se contra a água em que vive?
Poderiam as andorinhas
Rebelaram-se contra vento e o céu azul?
Poderia a luz das estrelas
Rebelar-se contra a escuridão do cosmos?
Não posso mais rebelar-me
Já não saio mais com Jimmy
A explodir a cidade
Não há mais o que explodir agora
Quando descobrimos
Que a cidade somos nós

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Esperando...

Há muito espero pelo amor
Desde o nascer das eras
Do surgimento das moneras
Do primeiro grito de dor

Como a rocha 
Espera a onda
Quem aborta
Espera a sonda
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que ainda não era
Desde a primeira primavera
Em que morreu a prima flor

Como o doente
Espera a cura
E a serpente
A noite escura
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que uma vil quimera
Me deu o bote da pantera
E me acompanha aonde eu for

Como a presa
Espera a fera
E o dente
A dilacera
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Ouvindo blues em gramophones
Compartilhando em i-phones
Quem eu era e quem eu for

Como o feto
Espera o parto
E o obeso
O infarto
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Vi poema sem poesia
Sem a noite vi um dia
E arco íris de uma só cor

Como o inocente
Espera a forca
E o beijo quente
A fria boca
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que me sinto assim
Que falta alguém e algo em mim
Que se renova ao sol se pôr

Como o enfermo
Espera o anjo (que move a água)
E quem amou
O fim da mágoa
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O ilusionista

Fiz belas todas as ilusões
Com palavras ditas e não
Usei as cores sem saber pintar
Colori alguns sentimentos
Com as cores do arco-íris
E o brilho das nebulosas
Traços retos como a chuva
Traços curvos e suas curvas
Sem saber pintar
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Com palavras ditas e não
Fiz músicas belas e constrangedoras
Sem saber as notas musicais
Pensamentos dissonantes
Amores desarmônicos
Fiz de um beijo um lindo refrão
Arranjos de cordas
Arranjos de flores
Sem saber os tons
Ou semi tons
Um pouquinho Tom Jobim
Sem saber das notas
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Com cores
Com música
E com movimento
Está completa a ilusão
É a mágica do cinema
Mas o fiz com palavras
Sou um grande ilusionista
Fiz poema tipo filme
Sem saber nada de cinema
A caminhada tensa das grandes cidades
Tantas caras estranhas e indiferentes
Sons metálicos e metropolitanos
Até que dei um close em seu olhar
Demorando tipo Kubrick
Câmera estática
Beijo de língua em Bullet Time
Enquanto a vida desmorona em estrofes
Enquanto construo uma ilusão em versos
Enquanto apenas foco em seu lindo olhar
Revejo o roteiro das ilusões lançadas
Será o amor um efeito especial?
Vamos ter que rodar esta cena
Novamente
Repetidamente
Até que eu decore minha fala
Só lembro a última palavra: ...amor!
Sem saber nada de cinema
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Lembrei minha fala
- Não se faz poemas
Só com palavras
Só com ilusões
Ou só com amor.
Te fiz poemas
Com mil palavras
Mil ilusões
Talvez amor.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Quando imaginamos

Tem gente que não imagina, imagine só
Vive aquilo que aos olhos se apresenta
Vive o que ganha e o que aguenta
Até que os ossos do pó volte ao pó

Que a vida é rápida e a morte é lenta
Que amarra a alma um frágil nó
Que todo mundo é um pouco Jó
Quem imagina quando para e senta?

Imagine só, se um cigano te falasse
Ou se teu médico duramente decretasse
Que vivo amanhã não acordarás

Imagine o desespero, o choro, a aceitação
Se despedir de quem ama e pedir perdão
Imagine a verdade e a verdade verás

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Poesia de um tempo qualquer

Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Porque é de tempo nenhum
Volta ao passado
Foge do presente
Viajando no futuro
Espelho que reflete nosso ser
Espelho de Harry Potter
Que apaga o que eu queria
E já não  quero mais
E despedaça os desejos futuro
Dissecando os sonhos do presente
Língua saliva lembrei beijos do passado
E todos os beijos que me há de negar
Por pura crueldade
Guardando os beijos que quero dar
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
É óbvio que lembra da minha infancia
Porque nesse tempo eu podia voar
Podia amar simplesmente
Perdoar sinceramente
E sorrir desinteressadamente
Só não podia ser adulto
E todas as lembranças e doenças da velhice
Aceitando mansamente o tempo presente
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Que fará vc lembrar dos amores 
Que não deram certo
Mas que vc lutou por eles
Entrega de corpo e alma
Que dissipa o corpo
Que dispersa a alma
Mas os beijos até que foram gostosos
Ensinando o que vale a pena
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Em que eu lembrei de vc
Será que vc ainda lembra de mim?
Eu era tão tolo
Talvez por isso feliz
É lógico que achei um tesouro
Bem no fim do arco íris
E bebi e dancei feito louco
Numa festa de gnomos
E foi lá que te conheci
E foi lá que peguei a bolsa de pandora
Quase vazia
Peguei emprestada
Guardei nela todos os beijos negados
Sonhos frustrados
Amores perdidos
A fé nas pessoas
E todas as lembranças
Que já esqueci
Já havia algo lá
Não lembro bem o que era
Só me lembro de vc
E das loucuras que fazíamos
Porque me faziam feliz
E tudo o que fazemos são lembranças
De um futuro que se apresenta
Pelo menos amei
Não perca tempo
Me ame também
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Como crianças na praça

Tocamos flauta
E não dançastes
Lamentamos
E não chorastes
A quem escrevi meus poemas
Os que não foram lidos
Fiz um poema de amor
Do peito escrito
Com sangue escrito
E quem não leu?
Meu poema de amor sem palavras
Que escrevi com meu beijo
Meu olhar
E meu sorriso
Por que não lestes?
Fiz um poema de morte
Sempre deveras mal entendido
Pois que fala da vida
E do medo da morte
Algo intrínseco na vida
E o decorei muito com rimas
Decoramos a morte com flores
Fiz poemas leves e alegres
Pipas e dentes-de-leão
E sorriso bobo de mulher apaixonada
Bebê que ri enquanto dorme
Peixinho coloridos será que sorristes?
O que fiz dos meus poemas?
O que fazer com meus poemas?
Sempre parecidos comigo
Tipo fera selvagem que caça
Tipo presa que aguarda o bote
A quem escrevo?
A quem falo da minha vida?
Dos meus sonhos
Dos poemas que amo
Porque o sentimento mais verdadeiro do mundo
É amar a si mesmo
Sentimento traído por todos os suicidas
Pois que agora farei rimas
De agora em diante
Farei um poema de instante
De meu momento inconstante
De um sentimento rompante
Que te darei como abraço
E te prenderá como laço
E te ferirá como aço
Do que sinto e do que disfarço
Vou escrever num só verso
O todo do meu universo
Que em mim me disperso
Que o contrário de mim é inverso
A quem faço este poema
Feito por alma pequena?
Constristada e serena
A quem desenho esta cena?
A todo que ler digo
Que estou nos poemas que fiz
Que fiz com meu coração
Que fiz por amor
Que fiz por dor
Que fiz pra te ferir
Que fiz pra te beijar
Não sei as notas da música
Que me fazem chorar
Também não faço poemas
Com palavras
Faço com carinho e inocência
Porque fui criança
Às vezes com raiva e revolta
Pra poder me quebrar
Me cortar com meus cacos
E após dispersar me refaço
Juntando pedaço a pedaço
Faço poemas dos nãos que recebi
E com os restos do jantar
Do beijo que me negaste
Com minha oração de louvor
A ti faço poemas
Do bebê abortado
De meu campari com laranja
Do meu voto perdido
E do que vi no fim do arco-íris
Não faço poemas para gostares
Einstein disso que isso é relativo
Mas para que sintas
Por que é assim que celebramos
Por que é assim que sabemos
Que estamos vivos

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Once upon a time

Busquei a poesia loucamente
Bati na porta dos dragões
Levantei do abismo os alçapões
Saltei de sol em sol
Procurando a beleza tola
A que existe sem motivo aparente
Busco a poesia toda tola e inconsequente
Na profundeza escura do mar
Na luz intensa que cegou Paulo
Anseio pela beleza e pela poesia
Porque é sem porquê
Cacei a poesia nos bosques
Entre os faunos e bacos
E outras ilusões etílicas
Traguei café com haxixe 
E vislumbrei poesia vidente
Um relance de poesia 
De soslaio
A Poesia que sustenta
É a mesma que me mata
Leite materno envenenado
Um corpo quente
Macio e delicado
E me vejo feliz em teus olhos espelho
Viagens no tempo
A poesia não está no futuro
Nem no futurismo
Tampouco no passado
Quando crianças não sabemos
Se somos felizes ou não
Então busco a poesia no presente
E a me dou de presente
Depois de um exaustivo dia pós moderno
Trânsito stress trabalho stress má alimentação stress raiva diabetes e insônia
Stress  ambulâncias stress bala perdida stress frustrações desemprego e luto
Ódio
Stress Estress Estresse
Hoje achei um pedaço de poesia
No final da faixa de pedestre
Quase caindo no bueiro
Guardei-a rapidamente no bolso
E ao chegar em casa 
Me dei de presente
Orei agradecendo o jantar
Jantei
Fumei um pouco
Dormi um pouco em frente da tv
E em seguida
Antes de me deitar 
Comi aquele pedacinho de beleza que achei
Poesia que dissolve no céu da boca
Boca com luas e estrelas
Lembrei de aventuras da infância
De vitórias e aprovações que tive
De momentos doces com a família
De risos abertos com os amigos
Quatro estações e primavera de Mozart
Carpas coloridas
Perfume de Grenouille
Uma experiência espiritual
E me deitei tão feliz de estar vivo
E adormeci tão feliz ao seu lado
Que já não é tão bela quanto antes
Mas me ama muito mais 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Contando o tempo

Contei o tempo em verões
Contei luas cheias no céu
Ampulhetas de areia
Calendário maia chinês judaico romano
Caleidoscópio de tempo humano
Conto as ondas do mar
Rebentando na praia
Faltam quantas pra você chegar?
Tenho tara pelo futuro
E pelo que há de vir
Um música do passado
No balanço das horas tudo pode mudar
Mas quando você chegar
O tempo vai parar
E esquecerei de todos os astros
Que contam o tempo
E ficarei tão feliz que dançarei
Com Gene Kelly na chuva
Chuva de meteoros
Meteoros de Pegasus
Mas quando você chegar
Não haverá quandos
Conjunções subordinativas temporais
Você chegará simplesmente
E guardará todo tempo do mundo
Pressionado em seus lábios
Esconderá as horas detrás dos seus olhos
E o movimento de translação em seu colo
E caminho meus dedos
Num calendário tatuado em seu corpo
Cujo o último mês do ano
Se chamará paixão
E o último dia do ano
Será feriado: Dia do amor
E a último instante do dia
Será um segundo do seu sorriso
Antes de expressivas reticências ...

sábado, 3 de maio de 2014

Terra em transe

Terra em transe
Em trânsito
Em transa
Terra que transito em transe
As coisas não mudam
Nós é que mudamos
Mude a si mesmo
E mude um país

segunda-feira, 21 de abril de 2014

13 linhas para viver

1 Gosto de você sem saber o porquê
2 A lágrima é o corpo consolando a si mesmo
3 Te amo com todo o meu ser, em silêncio
4 Um verdadeiro amigo...    quem tem?
5 Querer alguém nem sempre é suficiente
6 O sorriso e o amor quanto mais damos, mais nos fazem bem
7 Você é apenas duas partes do meu meu mundo: o chão que piso e o ar que respiro.
8 Infelizmente, só sabemos o valor do tempo quando já não temos muito
9 Quem sabe Deus te deu uma pessoa imperfeita sabendo que é perfeita pra você
10 Nos relacionamentos humanos, o único momento em que o riso vem depois do pranto é no nascimento de alguém
11 Confie em todos, a desconfiança não vai impedir que as pessoas te machuquem
12 Tornar-se uma pessoa melhor é uma luta que nunca acaba, por isso é que quando você souber quem você é e os outros já souberem quem você é, já pode até morrer
13 Sempre dê o máximo que você pode dar e sempre tente ir além, porque quando você perder terá respeito e quando vencer terá satisfação





Gabriel Garcia Marques te amo porque te amo e ponto final.


domingo, 13 de abril de 2014

Vozes do além

Não é tão difícil fazer um poema
É mais um ato filosófico
Ou logosófico
Sei lá
Me pego pensando no passado
E faço um poema
Observo o tempo presente
E faço um poema
Imagino um futuro distante
E faço um poema
De qualquer coisa que penso
Observo
Sinto
Imagino
E faço um poema
Tragédias humanas
Amores orgásmicos
Amores fraternos
Traumas infantis
Desajustes do casamento
Revolta urbana
Outro dia presenciei um milagre
De tudo que vivemos
E faço um poema
Ainda assim 
Às vezes é difícil fazê-lo
A página em branco
É muito ansiosa
Posso fazer um poema de amor
Todos gostam
Ainda ando de mãos dadas
Acho romântico e significativo
Penso no nosso amor
No riso depois do amor
Na dor de mãos dadas com o amor
E faço um poema
Digo pra mim mesmo
Faça um poema feliz desta vez
Que tenha risos orgásmicos
Olhares que se tocam
Abraços desinteressados
Seu prato preferido
Caminhar de mãos dadas
Falar às vezes que ama
Miudezas de amor
Então me digo
Faça um poema de amor
E faço um poema
Que psicografo de mim mesmo

sábado, 5 de abril de 2014

No final do poema, um pouco de poesia

Esfinge Estige Estigma Estigmata
Enigma que mata
O homem é a resposta do homem
Poemas que me matam
Me mutilam sutilmente
Ansioliticamente 
É o que sinto
Se for um poema de amor
Todo amor é platônico
Num plano inalcançável
Este é um típico estigma que mata
E assim os versos vão me mutilando
Os estigmas das plantas
Os estigmas das mulheres
Que recebem o pólen
Que recebem o sêmem
Sinto muito, peixinho
Não coloquei "poeta" no meu perfil da rede social
Poetas são lunáticos, esquisitos, lunatizados
Em resumo: estigmatizados
Mas indignos de receber os estigmas de Cristo
E por falar em lua
O pouco de poesia de que falei
Nos imagine na lua
Saltando de mãos dadas
Riríamos muito
Na gravidade zero
Sem russos ou americanos
Só minhas piadas sem graça
E meus trejeitos infantis
Na gravidade zero
Balas de borracha e coquetéis molotov
Pms e black blocs jogando beisebol
Na gravidade zero
Peixinhos coloridos flutuantes
Bebê flutuando na capa do Nevermind
Tudo é tão mais bonito
Na gravidade zero
Por do sol sem horizonte
Luz que se esvai sob a terra
Na gravidade zero
Temos mais de setenta anos
Somos imperfeitos
E foi assim que conhecemos o amor
E te beijo ardentemente
Só mais um ato de amor
Para depois assistirmos abraçados
Das penumbras da lua
Um lindo eclipse



segunda-feira, 24 de março de 2014

Sobre meninos e lobos

A poesia é a mesma
Desde sempre
Desde Aristóteles
Desde a arte poética
Desde a manjada dialética
Desde a maldita tetralética
Éramos lobos
Sob a ótica da semiótica
Por isso que falo de antigamente
E do que era diferente
Havia rima e gente inocente
Isso mesmo
Haviam lobos e meninos
Na verdade são a mesma coisa
Andavam em bandos
E acreditavam em algo comum
Uma verdade comum
Que o mundo era o mesmo pra todos
O que há hoje
São homens
Único animal 
Que extermina a própria espécie
Que parasita a própria espécie
Que come a carniça da própria espécie
Homens pós modernos
Tento me livrar com um poema
Dizendo a verdade do que sou
Que não sou nada 
Não tenho nada
A vida (até quando Deus quiser)
Tenho um pouco de amor no bolso
E sou poeta
Um cara estranho 
Que quando todos tentam brilhar
Me apago
Me desapego
Me afago
Me nego
Você não vai me reconhecer
Entre tristes transeuntes
Misturado entres os ausentes
Pareço cidadão comum
Atravessando a faixa de pedestres
Mas carrego uma bíblia na mochila
Enquanto ouço playlist do The Strokes
Já reparou que se dissermos - Eu te amo!
Com um olhar
A maioria das pessoas nem percebe







* Caiu um raio na central telefônica e fiquei uma semana sem net e fone fixo, mas vou fazer mais um poeminha esta semana pra me compensar.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Se o mundo parasse um pouco

Se o mundo parasse de girar
Só um pouco
É que tenho sonhos 
De louco
Que o sol não apareceu
Mas a noite não continuou
Céu nublado por dias e noites seguidos
Eu só quero parar um pouco
Tomar um rum de côco
Colocar açucar no maracujá e comer
Deitado numa rede balançando
Enquanto o mundo está parado
Você fica do meu lado
Calada
Mas eu sei que está me amando
É bom esquecer um pouco
Até de si mesmo
Se o mundo parasse um pouco
Eu pararia também
Mas sem morrer
Morte tem aquela coisa de viagem
E não quero viajar
Quero parar um pouco
E me sentir bem vivo

sábado, 8 de março de 2014

Porque você faz poemas?

Todas as crianças
Perguntam porque
Porque
Porque
Porque
Porque
Questão de fase
Hoje me pergunto o porque
De ter feito tantas coisas
Sem porque
O porque do poema
Já não importa
Para quem não leu a poesia
O porque do vício
E do que nos dá prazer
Já não importa
Porque estamos velhos
Somos Junkies peixinho
E tentamos nos livrar de uma vida fútil
Andando na água e no fogo
Sem um porque aparente
A imperfeição humana
A maldade humana
Já não importa
Não para os porcos
Então tudo bem se você se aceita assim
O porque de escrevermos porque
De várias maneiras
Já não importa 
É gramática sem porque
O porque do amor
Já não importa
O amor é sem porque
O porque da vida
Já não importa
Para uma estátua morta
E vemos o que importa
Quando a morte bate à porta
Estamos velhos 
E lembrando que os tempos mais felizes
Eram quando não importavam
Os porques


domingo, 2 de março de 2014

A mais pura mentira

Sabe coisas que coexistem incompatíveis
Tipo o amor e a mentira juntas irmanadas
Minta pra mim com histórias incríveis
Me faça feliz com falácias esfumaçadas

Quem ama não magoa com verdades plausíveis
Guarda a língua que corta tal espadas afiadas
E as críticas e correções duras e desprezíveis
Por amor, são no peito bem fundo guardadas

Não me oponho a correção materna ou de Deus
Só quero que não use a verdade dos erros meus
Pra me magoar, me machucar, deixar-me na estrada

E se teus pés no caminho forem pra longe dos meus
Faço um pedido depois do último beijo de adeus
Minta pra mim, que me amou e mais nada

Eu não escolhi amar

Eu não escolhi amar você tanto assim
Eu não escolhi amar você
Eu não escolhi amar tanto
Eu não escolhi amar assim
Eu não escolhi amar
Eu não escolhi

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ab igne ignem

Em busca do fogo
Controle do fogo
Sonho antigo da humanidade
Noites quentes de Sodoma e Gomorra
Destruídas pelo fogo
Coquetel molotov
Rojão na torcida
Rojão no cinegrafista
Fogo na tv
A audiência pega fogo
Beijos quentes 
Uma lareira e um fondue
Calor e movimento dos corpos
Calor e movimento das partículas
Jimmy tocando fogo na guitarra
Nero tocando fogo em roma
Respiração combustão celular
(É o fogo da vida)
Foguete que sobe com fogo
Espírito que desce como fogo
Fogo da paixão
Aquece o coração
Ainda há aquela chama em mim?
Aquela que nos move
Que nos leva a fazer algo
Racionalmente sem sentido
A chama da vida
Em meu sofá
Enquanto penso no fogo
E na perigosa 
Combustão espontânea
(É o fogo da morte)
Faísca em meu peito
Um poema triste e frio
Enviado a todos
Por uma raposa de fogo


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Por amor

Mote

Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão


Voltas

Não há frase mais deprimente
Do que a pífia: Eu te avisei!
Mas se não tento, o que serei?
Não dói o amor que não se sente
Então, não tenha pena
Não dê carinho como um favor
Não quero ouvir nenhum sermão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão

Cansei de esperar, de esperar enfim
Vou sair do submundo onde estou
Sobreviver, não! Viver eu vou
Só vou gostar de quem gosta de mim
A quem me ama duas coisas
Sempre meu peito aonde for
Sempre estendida a minha mão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão

Parecem próximas as estrelas
Mas não verdade estão distantes
Sou uma estrela entre os infantes
Entre as pessoas, sem percebê-las
Posso estar só, mas ainda brilho
Faço poemas com minha dor
Existe charme na solidão
Mas se não for
Por amor
Me deixe aqui no chão





obs: Mais um vilancete em que uso versos de letras da música popular brasileira. E nesse momento, fiz essa brincadeira poética com as músicas por amor e só vou gostar de quem gosta de mim eternizadas na voz do grande intérprete Roberto Carlos.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Postergar


Poster Asgard Poltergeist Postergar
Semana passada não postei
Minha poesia semanal da semana passada
Um  velho hábito
Tão feio quanto o próprio nome:
Postergar

Nomes feios são tão anti poéticos
Mistura de anti ético com anti estético
Danem-se os hifens
Algumas coisas não são tão ruins 
Quando são postergadas
A hora da morte
A demissão do trabalho
O 11 de setembro
Uma invasão alienígena
A traição de um amigo
Um ataque inimigo
A extinção de uma espécie
Meu choro de arrependimento
O fim do mundo
Ou do nosso amor

Já-Nunca oposição semântica
Jamais
Nunca mais
Postergue a poesia
Postergue, que palavra horrenda!
Algumas coisas não podem ser postergadas
A poesia
O nascer do sol
A volta do Cristo
O choro ao nascer
O perdão ao morrer
O momento do orgasmo
O sorriso apaixonado
O brilho das estrelas
A benção materna
A vida eterna
Ou o solo de guitarra Free Bird
O vôo do pássaro livre
A chuva que finda um verão ardente
O sol que finda um inverno congelante
Um poema brilhante
O fim de uma guerra
O perdão a quem erra
Não se pode postergar o amor
Não se pode postergar o presente
A vida presente
O passado e o futuro
É o que fazemos agora
















obs: o rei Ezequias teve a hora da morte postergada por mais quinze anos. Nada mal, Héin?


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Poeta

Já fiz quase tudo que as palavras permitem
Combinações semânticas e rimas paralelas
Já disse e escrevi coisas lindas e belas
E coisas que nem a uma besta se dizem

Uma vontade inexplicável de se expressar
Sem objetivo específico real e aparente
Mil vezes nos versos a me confessar
A amar! Odiar! E tudo mais que o peito sente

Acalmei quem me odeia com palavras amenas
Já feri que me ama com palavras pequenas
Superestimei e subestimei o poder do dito e escrito

Mas tudo que eu disse fluiu de dentro do peito
E quando a delirar no meu último leito
Perdoem o que diz este poeta maldito

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Embalos de sábado à noite

Ontem sonhei com um anjo
Estou muito ansioso estes dias
Excesso de futuro
E ele respondeu: basta a cada dia o seu mal
E me permitiu por um instante 
Ver o coração dos homens
E não pude perdoá-los também
Titanic que afundou em meu peito
Quem não pode perdoar
Não pode amar
E quem, não ama a si mesmo?
Ame a todos como se não houvesse amanhã
Então uso uma velha combinação
Bíblia, chá, ansiolíticos e peixinhos de aquário
E deixo o coração um pouco nublado
E pauso um pouco as inquietações sobre o amor
E sobre o amar
Como criança que olha pro mar
Pra algo belo e fantástico
Com medo e admiração
E um desejo inquietante e profundo




sábado, 18 de janeiro de 2014

A morte após do pós moderno

Há muito tempo atrás 
A morte era um grande fenômeno
Um grande acontecimento
Algo acontecido com um conhecido distante

Há algum tempo atrás
A morte era algo espantoso não pequeno
Foi de acidente, crime ou ferimento?
Era sempre um fato inquietante

Num video-game ou num filme
A morte é mais que natural
Já não nos causa estranhamento
E acontece a todo instante

E na mídia há tanto crime
Que saiu da página policial
E foi pra do entretenimento
Ficou a morte desimportante?

Ontem quase me deu um sobressalto
Algo normal num engarrafamento 
Ó trânsito infame num dia quente
Me estica os nervos sobe a pressão

Havia algo morto no meio do asfalto
E enraivado com o trânsito lento
E não senti nada, indiferente
Se era um homem ou se era um cão


sábado, 11 de janeiro de 2014

Canção pra você viver mais

Mote
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais



Voltas

Achei um 3x4 no meio dos poemas
Foto bem parecida com você
Foto minúscula, lembranças não pequenas
Então me lembrei de um sem porquê
Algo que se sente e não se diz
Que se escondeu no coração
E o que se diz não volta atrás
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Lembro que tinhas uma mania romântica
Entre as páginas colocava uma rosa
De receitas, poemas ou física quântica
Qualquer leitura em verso e prosa
Flor de lótus flor de lis
Tenho lembrança que é oração
Quando passeio nos roseirais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Ainda lembro seu prato preferido
Tirado de um velho livro de receitas
Amava o jeito que comias
E ainda mais o jeito que te deitas
Licor com cravo, canela e anis
Pão, peru e requeijão
Amor gostinho de quero mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Nada lembra o teu toque
Teus dedos entre meus cabelos
Manuseio um velho vinil de roque
Que me arrepia todos os pelos
Deixaste em mim funda raiz
Em mim cravada tal arpão
Teu tronco amor, aonde jaz?
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Não sei cantar não tenho voz
Não sei fazer nem serenata
Sou dissonante e atroz
E de música não sei nada
Mas te coloco num poema que fiz
Caça com gato quem não tem cão
Entre meus versos viverás
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quando não sou

Prólogo do poema 
                                e da tragédia humana: ser o que é

Pensando em todo meu egoísmo e egocentricidade, estive pensando o quanto eu sou quando não sou. E o quanto mais sou quando nego-me. Negando o que querem todas as fibras do meu ser. Ou assumo este eu veementemente, quando digo não. Parece difícil explicar, mas é fácil entender. Tipo Rolling Stones tocando
I wanna be your man Não se confundem com os Beatles. A essência de cada um é inconfundível Mesmo assim isso nos gera conflito interior Conflito natural do ser, como bem colocou o apóstolo Paulo:
Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço
Romanos 7:15




Poema

Perdoem-me porcos
Porque sou lírio
E quero estar entre vocês
E se fosse um porco
Ou ateu
Quereria ser nuvem
Antes mesmo de querer ser vento
De tudo ainda sou um lírio
E choro
Porque vivo só
E morto
Estarei num lindo buquê
Mas tudo bem
Peixinhos coloridos também não podem voar
Cada um faz o que pode
Sou lírio
E isso não é lá grande coisa
Os porcos parecem tão felizes
Rolando na lama
Fico com uma vontadezinha
E quando faço algo bom de verdade
Algo altruísta
Gesto desprendido de mim
Parece até que não foi eu
Que eu não fui eu
Ainda bem que não sou pérolas
A embelezar pessoas esdrúxulas
Ou poetas que usam palavras esquisitas
Dom divino o "livre arbítrio"
E hoje
(Somente hoje)
Escolherei o que serei
Primeiro serei sol poente
Depois sol nascente
(Nessa ordem, porque nessa ordem há esperança)
Serei uma cachoeira não muito alta
De águas cristalinas
Serei som de vento soprando
Serei alguém paciente no trânsito
Serei paciente também 
No final de uma fila extensa
Gostarei de ser também
O riso dos bebês enquanto sonham
Presa em disparada que escapou
Do bote surdo da serpente
Dor que não se sente
Um pedaço de poema da Cecília Meireles
Beija-Flor
E poderei voar rapidamente
E comer coisas doces
Sem o temor dos diabéticos
E mais
Serei mulher que se entregou
E não foi abandonada
Pai que ama como mãe
Abacaxi com gosto de pera
Truque de mágica inexplicável
Filho que não nega o pai
Onda que abraça a rocha
Rocha que beija a onda
Cometa que não sai do lugar
Cambalhota de palhaço
Os primeiros segundos depois do amor
Não, lírio não
Hoje serei
Dente-de-leão
Serei bonito e feroz
E quando morrer
Quero o vento a me levar
Para encantar alguém