quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Cega-me, Deus !

Cega-me, Senhor! Que a visão não me fará falta
Pois não sei bem pra onde vai este caminho
E a Ti não veria nem sobre a montanha mais alta
Pois que És Onipresente e ainda me sinto sozinho

E sei bem que sou tolo a guiar-me outro tolo
Mas quem sabe a sabedoria seja martelo
E assim todo erro é cometido com dolo
E um caminho de dor e espinho vejo-o belo

Se estou errado e ainda achar que sou certo
Cega-me! Como a Saulo fizeste no deserto
Cega-me! Se a bússola a guiar-me chama-se desatino

Nada pior que saber que não sabemos de nada
E descobrir muito tarde que erramos a estrada
E que as nossas escolhas é que escolhem o destino


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Aos que morreram bebês

Haveria razão numa morte prematura?
O quê, alma recém partida, tu nos ensinaria?
Se escapasse com vida o que faria?
Vida louca, vida, vida breve, morte, vida dura?

Vil incubadora, dessa vez não ajudaste
Saudade dos momentos nunca vividos
Beijos maternos não dados, inexistidos
Apenas a ausência é o que nos deixaste

Não pecastes, eu sei, anjo ao céu retornou
Lágrimas e ranger de dentes à mamãe deixou
Avante caravelas, salgado é o mar doce é o sorriso

É preciso o verão, para um novo inverno?
Será preciso sofrer uma estadia no inferno
Para, por um instante, vislumbrar o paraíso?

sábado, 14 de dezembro de 2013

O que pensam os que estão no corredor da morte?

Há tantas coisas importantes agora
Houve tantas coisas importantes antes
Mas a vida é segundos e instantes
Pensamentos pulsantes da última hora

E o que era importante não importa agora
O que preocupava e afligia um intenso desejo
Os tremores das pernas no primeiro beijo
A tristeza de amar quem foi embora

A cruzada cristã a chegada na lua
A Marynlin morta a Marynlin nua
E daí? Se D Pedro fica ou vai embora!

Se agora penso no que me é indiferente
É pra tirar o pensamento do tempo presente
Do que me angustia e me preocupa agora

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rimas bizarras pra uma quarta-feira qualquer



Quando nasci:
                            Chorei

Quando mamei:
                            Sorri

Quando ouvi:
                            Dancei

Quando andei:
                            Caí




Quando saí:
                             Gritei

Quando cheguei:
                             Parti

Quando cresci:
                            Matei

Quando chorei:
                           Sofri




Quando te vi:
                           Gamei

Quando gamei:
                           Morri

Quando prendi:
                           Errei

Quando soltei:
                           Prendi




Quando fugi:
                       Cansei

Quando sonhei:
                           Te vi

Quando escrevi:
                            Amei

Quando amei:
                         Escrevi