domingo, 27 de outubro de 2013

Por que poemas?

Por que poemas?
Por que escrever?
Por que se dispersar?

Ônibus lotado
Ando pelo centro da cidade
Vendo milhares de caras estranhas
Cumprindo metas pra alguém
Vestindo roupas de alguém
Falando as frases de alguém
Vivendo a vida de alguém
Alguém vivendo a vida de alguém é ninguém
Ando pelo centro da cidade
Eu olho nos olhos delas
E elas sequer percebem
Ando pelo centro da cidade
Obrigado a ver publicidade
Vendo púbis cidade 
Ando pelo centro da cidade
Evitando drogados e pedintes
E pedintes drogados
Previsões do Zodíaco
Previsões do tempo
Previsões do rebaixamento
Provisões para o lar
Ando pelo centro da cidade
Disneylândia
Crackolândia
Comida de rua
O stress urbano já não me causa estranhamento
Na verdade, já me é intrínseco
E o amor que deveria ser...
Me exige, às vezes me cansa
Como o brilho alto de um monitor de LCD
Me cega lentamente
E a vida que é um grande dom
Às vezes me deixa em pânico

Então,

               faço poemas...


6 comentários:

  1. Pocha!!! Traduziu perfeitamente as palavras que entalam na garganta quando vemos o caos que nos cerca.
    É exatamente assim.
    Parabéns! Eu realmente amei!!!

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    1. Obg Nayane, só tentamos traduzir em poema o mundo que nos cerca, volte sempre!!!

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  2. Estamos na mesma lotação. rsrsrs
    Palmas!!
    Beijos!!

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  3. Maravilhoso, meu amigo, gostei demais, muito maduro! vejo os poemas mesmo assim, caem quando maduros, como as frutas das árvores, esse teu está no ponto!

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