domingo, 27 de outubro de 2013

Por que poemas?

Por que poemas?
Por que escrever?
Por que se dispersar?

Ônibus lotado
Ando pelo centro da cidade
Vendo milhares de caras estranhas
Cumprindo metas pra alguém
Vestindo roupas de alguém
Falando as frases de alguém
Vivendo a vida de alguém
Alguém vivendo a vida de alguém é ninguém
Ando pelo centro da cidade
Eu olho nos olhos delas
E elas sequer percebem
Ando pelo centro da cidade
Obrigado a ver publicidade
Vendo púbis cidade 
Ando pelo centro da cidade
Evitando drogados e pedintes
E pedintes drogados
Previsões do Zodíaco
Previsões do tempo
Previsões do rebaixamento
Provisões para o lar
Ando pelo centro da cidade
Disneylândia
Crackolândia
Comida de rua
O stress urbano já não me causa estranhamento
Na verdade, já me é intrínseco
E o amor que deveria ser...
Me exige, às vezes me cansa
Como o brilho alto de um monitor de LCD
Me cega lentamente
E a vida que é um grande dom
Às vezes me deixa em pânico

Então,

               faço poemas...


sábado, 19 de outubro de 2013

O cravo e a rosa



O cravo pulava a cerca
Passava a noite n’outro jardim
Uma noite dormiu com a rosa
Outro noite com a jasmim

Amante boa Amor-perfeito
Amor-perfeito por toda vida
Só não gostava do crisântemo
Que só servia na despedida

Era galante com toda flor
Chamou de belas e de queridas
As Violetas, as  hortências...
Caiu na boca das margaridas

As margaridas já espalharam
A fama do garanhão
A rosa ficou sabendo
E foi aquela confusão

O Cravo brigou com a rosa
Caindo de uma sacada
O Cravo ficou ferido
E a Rosa desesperada

Um beijo pra despertar
Bater de novo o coração
O cravo ficou sarado
E a rosa lhe deu perdão

Todas as flores se abraçaram
O cravo com seus amores
 Bem juntinhos então viraram
Um lindo Buquê de flores

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Surreal

Passeando entre sóis
O sal da  terra sois vós
Cantores sem voz
Que será de nós?
O universo, um miolo de noz
O universo é frio
Mas meu corpo é quente
Caminhando descalço
Furei meu pé nas estrelas
E de meu sangue plebeu
Surgiu uma triste nebulosa
Catei uns cometas e uns centauros
Uns satélites iluminados
Coloquei tudo num pote de cristal
E te darei essa linda luminária
E quando te afligires
Com as coisas reais
O aluguel, o pecado, o trânsito,
O meio ambiente, a malária
Olhe pra ela
Olhe para luz
Sempre olhe para luz
E verás que a vida
Pode ser bem mais
Do que os olhos podem ver
Do que os bolsos podem ter
Do que os sonhos podem ser


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

Obliviate

Tem dias que não queremos pensar
Não queremos saber
Não queremos lembrar
O passado
Coisas velhas
Coisas de velhos
Estou velho
Fica difícil pensar no futuro
Então penso como jovem
Não pensando
Só vivendo
Se misturando
Se dispersando
À noite já me esqueci
Das coisas estúpidas
Vou dançar como um louco
Fumaça de gelo seco
Pills and ice rave lôca
Ao infinito e além
Vou atravessar o rio pra buscar manga
Não fugirei covardemente
Vou brigar na rua
Soco chute soco chute
Pedra papel tesoura
Não pensarei no risco de vida
Bicicleta sem freio
Não lembrarei das doenças venéreas
Maria batalhão
Esquecerei todo tipo de conselho
Mamãe tá me esperando acordada

Não tive medo e tomei
A pílula vermelha
Mas guardei a azul no bolso
Do meu roto paletó
Para quando quisesse esquecer
Toda loucura que fiz
Para quando quisesse esquecer
De meu ser
Como um feitiço
Obliviate