segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Haikai dos que lutam pela sobrevivência


File:Mouse litter.jpg



Alimento e lixo

Cidade que procria bicho

Noite e dia após dia








imagem retirada do site wikimedia commons
imagem de livre uso e distribuição
imagem: mouse litter.jpg
author: Seweryn Olkowicz

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Visões

Sonhos
Carrósseis de Pegasus
Poesia onde giro e voo
Sem sair do lugar
Balões de São João
Chuvas de São Pedro
Cristo subindo às nuvens
Pipas vermelhas de rubis
Pipas doces e sorrisos
Te amo brisa que não leva as nuvens
Nuvens de algodão
Eu, 
Bem, eu tô deitado no chão
Vendo as nuvens se formarem
Em visões
Nuvens objetos
Bonequinho da Michellin
Bonequinho dos Ghost Busters
Nuvem algodão doce
Dragões, naves, músculos
Meninas que eu quero beijar
Mas sou criança e fico com vergonha
Dinossauros, navios, panquecas
Cachimbo do vovô
De cabelos brancos meio prateados
Como aquela nuvem
Há nuvens assustadoras
Que se estufam
Nada a ver com efeito estufa
Parecem explosões
Parecem que algo quer sair de dentro delas 
Parecem furiosas, mas não são
São delicadas tipo pétalas
Tipo dente-de-leão
Suscetíveis a qualquer vento
Tipo a nossa vida
Gosto muito de adormecer olhando às nuvens
Se já dormi
Nem percebi
Tudo que imaginamos é real
E tenho visões do futuro
De crianças
Vejo as crianças verem
Sem imaginar
Tudo que poderiam criar
Já está na tela da tv, do pc, do note, do ipod, do tablet...
AVI, MPEG, MP4, DiviX, VCD, DVD, MOV, FLV, WMV, SFW, RMVB, HDTV
O mundo no futuro tem um céu cinzento
Nuvens em formato digital
Que não se transformam
Nuvens do windows
Pra quem nunca adormeceu
Olhando as nuvens pela janela


As crianças, poetas e retardados serão inocentados

]

Sem culpa sem mágoa

Vida sutil na inocência 

Dos que não tem ciência









sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Uma coisa que parece amor

Suporto bem os seus defeitos
Penso que sim, mas digo não
Falo bem dos teus maus feitos
Te amo sim, mas só que não

Te entregaria todo o meu corpo
Em um transplante ou corpo são
Minha alma dei para Cristo
Te amo sim, mas só que não

Te dou tudo que posso dar
Pago a fatura do teu cartão
Só não me peça pra casar
Te amo sim, mas só que não

Escuto tuas fadigas do dia-a-dia
Chefe, contas, estresse e reclamação
Tô me lixando pra tua astrologia
Te amo sim, mas só que não

Não tenho olhos pra mais ninguém
Nem pras gatas da televisão
Então, entre nós não bote alguém!
Te amo sim, mas só que não
 
Digo que te amo com um objetivo
De ter prazer sobre o colchão
Até que é verdade, mas parece apelativo
Te amo sim, mas só que não

O amor não pede nada 
Por isso essa confusão
O amor com amor se paga
Te amo sim, mas só que não
 
Não sei bem o que eu sinto
Nunca escutei meu coração
Falo a verdade, mas também minto
Te amo sim, mas só que não

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Vendo as pessoas como realmente são



File:Afghanistan 07.jpg



Cadê o coração?

Todo mundo tá de burca

Quem sois vós então?









Imagem retirada do site wikimedia commons
autor desconhecido 
imagem de domínio público

sábado, 14 de setembro de 2013

Ian Curtis - O poeta do desespero (Será?)

Ian Curtis

Há duas pessoas que representam bem uma questão dialética da poesia: Fernando Pessoa e Álvares de Azevedo. E que questão seria essa? Elementar meu caro Wattson: a relação entre vida e obra de um artista. Considero a dialética quase como um parâmetro universal de todas as coisas. Quando penso em Fernando Pessoa, penso alguém que construiu uma obra, heterônimos, a si mesmo, um tanto distante da vida que levava, do Fernando Pessoa, pessoa, humana. E quando penso em Álvares de Azevedo penso em alguém que fundiu a vida e a obra numa coisa só; no ultra romantismo, escrever não era suficiente, era preciso viver a obra, viver o escrito, mesmo que o que se escrevesse levasse à morte.
Ian Curtis é desses poetas que não separa a vida da obra. Funde na escrita o pensamento, o sentimento vivido de tal maneira que desmancha a tênue linha que separa a vida da ficção. Ian Curtis retratou o mundo ao seu redor, que ao seu ver parecia inóspito e cruel, sendo a morte nada mais do que o último degrau de uma descida natural. Por isso comparo Ian Curtis a Álvares de Azevedo, a Augusto dos Anjos, a Poe, Baudelaire, poetas que viveram com a morte como sendo algo não tão distante. Mais uma vez não vou colocar nenhuma biografia do autor em questão, pelo simples fato de que sua obra reflete a sua vida e se você quiser biografia vai na wikipédia. rsrrsrsrr.
Apesar de não colocar uma biografia vamos colocar alguns fatos relevantes da vida do poeta. Amava muito a música, trabalhou em uma loja de discos ainda jovem e sentía-se em casa num estúdio de gravação e testava novas sonoridades com criatividade. As músicas de sua banda "Joy Division" refletíam bem todo o caráter de obscuridade e inventividade das letras escritas por Curtis. Era epilético e isso o tornava, no palco, algo diferenciado e excêntrico que aumentava o carisma do cantor Ian Curtis apesar de uma personalidade meio reclusa. A qualidade e criatividade da banda pós-punk é indubitável, o single de "Love will tear us apart" é considerado por alguns como um dos melhores da história.
Falando desse single (o single de "Love will tear us apart") pra iniciar a nossa análise da obra desse gênio poético, é o primeiro que escolhemos que comprova a união intrínseca entre vida e obra. o single de "Love will tear us apart" fala sobre o divórcio sofrido entre Ian e sua esposa Deborah. Vamos à tradução e pequena análise:

Love Will Tear Us Apart

When routine bites hard
And ambitions are low
And resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads

Then love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

Why is the bedroom so cold?
You've turned away on your side
Is my timing that flawed?
Our respect runs so dry
Yet there's still this appeal
That we've kept through our lives

But love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

You cry out in your sleep
All my failings exposed
And there's taste in my mouth
As desperation takes hold
Just that something so good
Just can't function no more

But love, love wil tear us apart, again

O Amor Vai Nos Dilacerar

Quando a rotina magoa duramente
E as ambições são pequenas
E o ressentimento voa alto
Mas as emoções não crescerão
E vamos mudando nossos caminhos
Pegando estradas diferentes


Então, o amor, o amor vai nos dilacerar, novamente
O amor, o amor vai nos dilacerar, novamente


Por que o quarto está tão frio?
Você se virou para o seu lado
Será que meu tempo está acabado?
Nosso respeito se acaba rapidamente
Mas ainda há esta atração
Que mantivemos ao longo de nossas vidas


Mas o amor, o amor vai nos dilacerar, novamente
O amor, o amor vai nos dilacerar, novamente


Você chora no seu sono
Todos os meus fracassos expostos
E há um gosto em minha boca
Enquanto o desespero toma conta
Pois alguma coisa tão boa
Apenas não pode funcionar mais


Mas o amor, o amor vai nos dilacerar, novamente
Se todo mundo retratasse o divórcio dessa maneira!??!  Ah! os poetas! Quem mais, se não um gênio para retratar o divórcio assim? Todos os sentimentos mínimos envolvidos em um processo de separação de algo que se julgava ser para sempre. Nesse poema, ou letra, ou poema-letra vemos a tríade temática que perspassa toda a obra de ian: fracasso, solidão, desesperança com o futuro, mas falaremos disso depois.

A forma da escrita dos poemas de Ian é muita pragmática, apesar de haver letras ou poemas como Transmission ou Autosugestion, ou a maravilhosa New dawn fades que não há forma fixa quanto à estrutura e disposição dos versos, ele faz poemas com quartetos: From safety to where, candidate; faz poemas com estrofes de sete versos: insight, atmosphere; e os preferidos do poeta são as estrofes com oito versos, ficam parecendo grandes blocos poéticos bem ao gosto dos ingleses, que também não separam seus sonetos em estrofes e deixam tudo num bloco só: warsaw, waiting for the ice age, exercise one, passover... veja agora uma oitava bem construída pelo poeta, rimada, bem estruturada e com harmonia entre a quantidade de sílabas poéticas em cada verso e sua respectiva construção:
 WARSAW
I can still hear the footsteps
I can only see walls
I slid into your man-traps
With no hearing at all
I just see contradiction
Had to give up the fight
Just to live in the past tense
To make believe you were right


Eu ainda consigo ouvir passadas
Eu só consigo ver paredes
Eu deslizei para dentro das suas armadilhas para homens
Sem audição alguma
Eu só vejo contradição
Tive que desistir da luta
Só para viver no tenso passado
Para fingir acreditar que você estava certo


PARTE 1 DE 2

NA PRÓXIMA PARTE ABORDAREMOS VOCABULÁRIO E TEMÁTICA DESSE GRANDE POETA


ALGUNS LINKS
http://www.reporterdiario.com/blogs/ocorvo/?p=913
http://obviousmag.org/archives/2010/07/ian_curtis_-_legado_de_musica_e_poesia.html


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Metamorfose

Não é que eu prefira
Renato a Raul
Davi a Saul
Não posso dizer que sofro um tipo de
                                       Metamorfose]
Diariamente
Lentamente
Me transformo em mais do mesmo

Observo
Atentamente
A mudança dos tempos
E a volatilidade das opiniões e filosofias

Vejo pessoas lutando para serem iguais
Vejo pessoas lutando para serem diferentes

As fibras de meu ser
Ilusão de ótica
Fibra ótica
O mundo em um click
O mundo em um touch
O mundo poderá mudar-me?

Se eu fosse de antigamente
Não  me preocuparia com o meio ambiente
Nem com o capitalismo
Nem com o socialismo
Com o solecismo
Com o satanismo
Com o egoísmo
Oportunismo
Neo nazismo
Imperialismo
Nervosismo
Nepotismo
Reumatismo
Eufemismo
Exorcismo
Erotismo
Ocultismo
Consumismo
Cinismo
Moralismo
Ismo
Ismo
Ismo
Ismo
Ismo
...

Se eu fosse de antigamente
Seria um cavaleiro templário
Batalhando em uma guerra 
Em nome de Cristo
Tento fazer isso
E depois de um dia de batalha
Limparia o sangue da minha espada
Dissolveria haxixe numa xícara de café
Adoçaria
Tomaria
Dormiria
Sonharia
Com campos verdes e úmidos
Cheiro de chão grama molhada
Céu azul com muitas nuvens
Brisa suave acariciando meu pensamento
Som de água
Sorrisos de mulher
Sonharia com algum amor
Deixado para trás




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Teatro do absurdo

Deus e o diabo na platéia, atentos a cada cena
Vendo homens que escrevem o próprio roteiro
Que lutam, as personagens principais da arena
Homens que vão além, do encontro com o coveiro

E há os ditos coadjuvantes, vida fútil e pequena
São barcos à deriva, sem destino, sem barqueiro
Usam uma máscara feliz de bicho, de uma hiena
E criam a si mesmos dóceis, em seu próprio cativeiro

Quando um homem anda no caminho que escolheu
Não importam as pedras, a dor, a solidão, o breu
Cai! Levanta! E ama o combate que se dá em cada passo

Hiena! Na hora fatal saberás a irrelevância da tua vida
Contarás apenas dois ou três para a última despedida
E verás que o dinheiro não impede o teu fracasso

segunda-feira, 2 de setembro de 2013