quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Dor de garganta

Erros da juventude 
Já fiz versos para ser ouvido
Precisando de atenção
Tipo: beijando na boca
De pessoas que eu não queria beijar
Hoje faço versos ao contrário
Ao contrário de antes
Faço versos para poder falar
Para me redimir me exprimir
Então me redigi me espremi  
E me expeli
Expelir, verbo horrendo num verso
Mas é isso mesmo
Eu sei que meus versos continuam egocêntricos
Tantos eus 
Tantos mes
Mas quero falar do que me afeta
Seja ódio ou afeto
Do âmago das coisas
Não gosto dos russos 
Eles parecem gelo
Sem âmago 
Interior igual a casca
Do Maiakovski eu gosto
Será que tem muitos russos iguais a ele?
O que seria das pessoas se não houvessem os sentimentos?
Versos sem rima
Versos sem rumo
Versos que parecem falar
Mas na verdade, perguntam
É esse tipo de verso que faço
Quando estou com dor de garganta
E não posso falar
Fico apenas observando as pessoas
E me perguntando 
Por quê?


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