quarta-feira, 5 de junho de 2013

Por um segundo

À medida que avanço o mundo se desfaz
E se refaz
Sob meus pés
E sobre meu pensamento
Por um segundo
Não há sentimento
Fujo disso também
Concreto, aço e cimento
Calçada, asfalto, Semáforo
Banco da praça
Substantivos concretos
As pessoas viraram substantivos concretos
Por um segundo
Caras que vão e vem
E não significam nada
Pedestres viram postes animados
Postes que andam
Passam por mim
Passo por elas
Autista por um segundo
O banco da praça é um velho aposentado
Com mil proezas pra contar
Mas não me interesso nele também
A vida é rápida e passa
Por um segundo
E Cristo se sacrificou por todas vocês
Então não me digam
Que não têm tempo
Sinto muito Quintana
As pessoas viraram coisas
Coisa-objeto
E isso não foi legal
Por favor, pessoal, virem substantivos abstratos
São muito mais interessantes
E têm movimentos
Subo no trampolim
Respiro fundo e salto no abstrato
Por um segundo
Mergulho no Tietê
Rio de estrelas e cometas
Deixo a correnteza me arrastar
Pra longe da cidade
Segura minha mão, peixinho
Não tenha medo do mar
Nem de imaginar
Que se somos uma gota
O oceano é nosso lar
Pense em Deus
Mesmo por um segundo, no amor
Nos momento legais que tivemos
E em quanto nossas idiotices
Eram engraçadas
Pense nas coisas legais
E abstratas 
Que habitam em nosso coração
Pense no passado 
Em tudo que te aconteceu
Por um segundo
A vida é muito mais






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