quarta-feira, 26 de junho de 2013

Até onde não dá mais

Resisti a tudo
Até onde deu
Má alimentação
Falta de educação
Falta de compaixão
Pra completar estas rimas
Troquei voto por pão
A fome é soberana
Parti em corrida desesperada
Mas minha paciência ficou
No ponto de ônibus
Desolada e desamparada
Acho até que morreu
Talvez numa fila
Do serviço público
Por isso é que não tenho paciência
E jogo coquetel molotov
O povo não quer mais ser figurante
Há muito tempo sou figurante
Stallone o demolidor
A revolução saiu da telona
E dos livros de história
Porque me deixaram com sede
Porque me deixaram com fome
Me esforcei pra valer 
Pra resistir, mas não dá mais
Joguei pedra na polícia
Que faz parte do povo
E do polvo
Tentáculos armados
Do monstro sist cefalópode
Cães treinados, obedientes
Sinto muito por vocês
Militares ou populares
Qualquer um que não tenha vontade própria
Preparo o terreno para o plantio
Com fogo
Queimo tudo que não presta
Pra semear algo bom
Sinto muito irmão
Isso aqui é protesto
Não é procissão 
Só falar não adianta
Vá numa urgência pública
Veja o povo sofrer
Veja o povo gemer
Nem gritar adianta
Não dá mais
Não dá mais
Não dá mais
Polvo, burgueses e aristocratas

Gordinhos de pele macia

Vocês me fizeram esse monstro
Estou indo aí devorar vocês 



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mamãe não pôde me dar um carro...



File:Protesto-2-8.jpg

Todo pobre sabe

Direitos são conquistados

Depois da batalha











imagem retirada do site wikimedia commons
imagem:Protesto 2-8
author: Yan Boechat
imagem de livre uso e distribuição


quinta-feira, 20 de junho de 2013

A uma mendiga ruiva - poema comemorativo de aniversário de um ano

 
Há exatamente um ano eu me dava um presente de aniversário: este blog. E como eu não tenho acesso a estatísticas de outros blogs, considero o meu blog um sucesso; não pela quantidade de visualizações, mas pela quantidade de +1 que recebo que gira em torno de 35 % das visualizações e como um leitor de blog só dá +1 um se tiver logado e se gostar muito do que leu acho uma porcentangem muito boa e que revela, ao meu ver, a qualidade do que é publicado. Outro fator que acho super importante é que semanalmente sou adicionado a círculos das pessoas para que elas possam ser notificadas das novidades do blog, levando-se em conta que jamais pedi pra ninguém me adicionar essas pessoas que fizeram isso mostram, no meu entender, que gostaram do que leram e isso é super importante pra mim: agradeço a cada um de vcs. Falar em qualidade nas artes é algo muito delicado, porque tem a ver com gosto e isso é algo muito pessoal e subjetivo, talvez por isso, quando a gente começa a escrever busca por opiniões alheias e a gente acaba participando dos famosos "concursos de poesia" o prêmio, para a maioria, é irrelevante, mas  ficar entre os primeiros não tem preço. A verdade é que, ainda hoje prezo minha satisfação ao escrever e me importo com sensibilizar quem lê o que escrevi. E não sou diferente de muitos poetas e há muitos anos participei de um concurso do SESC de Teresina de poesia cujo o tema era "Teresina" - minha cidade natal. Premiações para os três primeiros lugares e menção honrosa para mais três, se não me engano. Faz tanto tempo que não me lembro bem, mas fiquei em segundo ou terceiro e quando eu vi meu nomizinho lá, putz, alegria indescritível. Lembro muito bem que não fui o primeiro colocado, mas o que achei mais importante foi que a minha poesia era a única que não falava de algo bonito ou agradável da cidade, então considerei que devia estar muito boa para ficar entre as primeiras colocadas e essa poesia por esse motivo também é muito especial pra mim e é ela que resolvi postar hoje. Essa poesia é muito importante pra mim porque me fez pensar muito na busca da felicidade; ela é uma homenagem a uma mendiga que vagava pelo centro da cidade, geralmente bêbada. Essa mendiga era cega e usava duas bengalas para se locomover, ao invés de uma, e tinha um andar lento e articulado por isso a achava tão parecida com um artrópode, já que algumas vezes eu estava meio bêbado quando a via. Porém, e sempre tem um porém, rsrsrsrr, a história dela é que me impressionou bastante, perguntei por que às vezes ela estava tão bem arrumada e um camelô ali do centro da cidade me contou que aquela senhora tinha filhos que a amavam e que a levavam pra casa e a banhavam e a alimentavam, a vestiam bem, cuidavam bem dela e quando se distraíam: ela fugia! E um dia quando eu tava vindo meio chapado de uma comemoração de título, campeão adulto de handebol do estado do PI, eu sentei na parada de ônibus e ela estava lá; mais ou menos meia noite, bêbada, catarrenta, suja, e quando eu menos esperava ela começou a cantar uma música bem conhecida e bonita. Cantava a plenos pulmões, feliz demais, e ria muito, e cantava, cantava com a alma e dizia imoralidades e eu achava aquilo super demais: a escolha por uma vida degradada. E eu me perguntava bastante porque ela escolhia viver como mendiga, cada um que tire uma conclusão deste causo. O título foi propositalmente tirado de uma poesia de Baudelaire, porque a mendiga de Teresina não é ruiva, rsrsrsr, mas escolhi Baudelaire porque ninguém é melhor que ele em pegar algo degradado e transformar em bela poesia, pra finalizar: essa poesia é pra vc mendiga, minha musa.





A uma mendiga ruiva

19:30 – Praça da bandeira (um dia qualquer)


Miserável ser humana
Cega, doente e catarrenta
E do justo, o sono, a insana
Ferve e atormenta

Mas não é culpa tua mendiga
És na verdade o sintoma
Da sociedade é a catinga
Nosso é o glaucoma

Os farrapos quem deu a ti
Para cobrires o corpo
Tiraram do índio tupi
Queimado e morto?

Aqueles bem mal te vestem
E mostram a carne crua
E o depósito de sêmen
Dos cães da rua

Vi que, ao andar, usas bastões
Completa assim visão e braços
Sonhos luz cores clarões
Cercam teus passos

No passado, que eras tu?
Será que nasceste verme?
Foi lírio, ou foi só urubu?
Maldito germe!

No futuro, o que te espera?
Não sei e sei o desejo teu
Errante, andar como fera
Ao asilo ateu

Bem conhecem mestre Aupick
O que é esmola e o que é dinheiro
Quem vive num Jóquei chique
Ou num chiqueiro

Chiqueiro, é um jogo de signos
Mendiga irmã dos artrópodes
Viverias melhor com dignos
Porcos quadrúpedes

Flagrei-te a esquecer a vida
A lágrima a íris inunda
Estás na calçada, caída
Bêbada e imunda

De repente, um pouco tonta
Gira a cabeça a cantar
A canção vem da alma, pronta
Para sonhar

E eu sei que o som vem do fundo
Mas bem de dentro do peito
Porque é a maior parte do mundo
De um ser perfeito

Quer nos ouvir, nos tocar
Toque, nos sentir apenas
Mas paciente está a esperar
Almas serenas

A ti e a mim o mundo isola
Ao igual não há quem perdoe
Eu, por mim, te dou uma esmola
- Deus te abençoe!!!




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Uma moça enlouquecida




Aquela moça enlouquecida
Improvisando a sua música e poesia
Dançando na rave, a alma apartada de si mesma
A subir e descer aonde não sabia
A esconder em meio à fumaça de gelo seco
A mente quebrada

Eu proclamo a essa moça algo de belo e alto, ou algo
Perdido heroicamente, achado heroicamente.
Pouco importa os pais ditadores e distantes
Pouco importa o aumento do salário mínimo
Pouco importa a doença sexualmente transmissível
Pouco impota o afeganistão
Pouco importa a esmola natalina
Pouco importa o que a Coca-Cola fez na Índia ou na China
Pouco importa a nudez de Scarllet Carolina
E daí? E daí? E daí? E daí? E daí? E daí? E daí?


Ela envolvia-se em desesperada música
Ela envolvia-se, envolvia-se
E não ergueu seu triunfo
Onde drink and pills repousavam
A felicidade acionada pelos alucinógenos
É tão legítima quanto a falta de dor
Proporcionada pela dipirona sódica
Som que fosse trivial e inteligível
House, Eletro, Techno, Minimal, Psy, Trance
Porém cantou:

"Yes, I'm just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don't let me be misunderstood"






poesia derivada de A Crazed Girl  de William Butler Yeats



terça-feira, 11 de junho de 2013

Toda ideologia tem um "ou não". Ou não?

File:Coletividade em movimento.jpg

Certo e errado, somos!

Somos o que acreditamos

E isso é certo; Ou não!












Imagem retirada do site: wikimedia commons
File: Coletividade em movimento.jpeg
Author: digrado
Imagem de uso livre e distribuição


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Por um segundo

À medida que avanço o mundo se desfaz
E se refaz
Sob meus pés
E sobre meu pensamento
Por um segundo
Não há sentimento
Fujo disso também
Concreto, aço e cimento
Calçada, asfalto, Semáforo
Banco da praça
Substantivos concretos
As pessoas viraram substantivos concretos
Por um segundo
Caras que vão e vem
E não significam nada
Pedestres viram postes animados
Postes que andam
Passam por mim
Passo por elas
Autista por um segundo
O banco da praça é um velho aposentado
Com mil proezas pra contar
Mas não me interesso nele também
A vida é rápida e passa
Por um segundo
E Cristo se sacrificou por todas vocês
Então não me digam
Que não têm tempo
Sinto muito Quintana
As pessoas viraram coisas
Coisa-objeto
E isso não foi legal
Por favor, pessoal, virem substantivos abstratos
São muito mais interessantes
E têm movimentos
Subo no trampolim
Respiro fundo e salto no abstrato
Por um segundo
Mergulho no Tietê
Rio de estrelas e cometas
Deixo a correnteza me arrastar
Pra longe da cidade
Segura minha mão, peixinho
Não tenha medo do mar
Nem de imaginar
Que se somos uma gota
O oceano é nosso lar
Pense em Deus
Mesmo por um segundo, no amor
Nos momento legais que tivemos
E em quanto nossas idiotices
Eram engraçadas
Pense nas coisas legais
E abstratas 
Que habitam em nosso coração
Pense no passado 
Em tudo que te aconteceu
Por um segundo
A vida é muito mais






segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lei da atração



File:Profeta gentileza.jpg


Se é pra rosnar, rosno!

Gentileza gentileza

Então, por que não?









imagem retirada do site: wikimedia commons
imagem: Profeta gentileza
author: Olimor