quarta-feira, 29 de maio de 2013

Catarse reversa

Comi a lua 
Eu, sou a lua
A poesia é sol
Eu, escrevi o sol
Eu  Eu  Eu
Há tantos eus
Nos poemas meus
É que meus poemas são: eu!
Me libertam  e me liberto
Das fadigas diárias do mundo pós-moderno
(Isso eu já disse
                             poeticamente
                                                     em outros poemas)

Sou lua
Ser flutuante, árido e sem vida
Desprovido de luz própria
Satélite natural de si mesmo
Espelho inanimado
A refletir a luz do sol
Luz de outrem
Escrevo o sol
Quente brilhante
O sol matou Ícaro
(isso eu já disse...
O sol fonte da vida
Com seus raios-x raios gama raios ultravioletas
Raios que o partam
Explosões no sol
deus sol
Filtro solar
E outras coisas 
desprovidas de beleza
O sol provoca muito lentamente 
Uma erosão mínima na lua

Algumas coisas que escrevo
Cheias de luz e calor 
São sol, sol e sol
Parecem coisas bonitas 
Mas são coisas ruins
Deteriorantes
Escrevo-as para iluminar
Meu lado escuro
Escrevo-as para purgar
Tudo que é ruim
Mas volta tudo pra mim
Numa espécie de catarse reversa
E essas coisas escritas
De minhas coisas escrotas
É que me fazem feliz
É que me fazem brilhar
São elas que me iluminam
Mas muito lentamente
Estão a me matar

O eclipse é uma coisa linda
Todos querem vê-lo
A humanidade sempre se impressionou
Com o lado escuro das coisas
E todos verão minhas sombras
Num grande espetáculo
Quando estarei muito triste
Me sentindo sozinho no mundo
Tal qual cão sem dono
Cães sem dono não abanam o rabo
Então
Um anjo fala bem baixinho 
Bem baixinho mesmo
Baixo o volume da tv
E escuto:
- A noite e o eclipse podem até demorar
                mas uma hora a luz vai ter que sorrir!
              


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Os homens não dizem " Eu te amo "

File:Machismo con las mujeres.jpg



Boca é pra beijar

Sinto que mato o que eu sinto

Quando calo, ou minto












imagem retirada do site: wikimedia commons
file: Machismo com las mujeres.jpeg
Author:  DBJT1996
imagem de uso livre e distribuição



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Porque matei alguns heterônimos



Heterônimos:
Um mosquito
Um cavaleiro templário
Um poeta carpe diem
O homem moderno
A criança

Nesta grande jornada que se chama vida
De tantos espíritos que me habitam
Vou matando aqueles que me transitam
Heterônimos pútridos n'alma ferida

Um mosquito que me perturba e suga
Leva minha paz, chupa-me o sangue
Nasce um ódio e se externa verruga
Te mato com palmas carniça exangue

Um cavaleiro que em meu seio andava
Amava aos dogmas mais que a Deus
Gritava Cristo e com a espada matava
Esse eu guilhotinei acenando adeus

Há um poeta Carpe Diem que vive cada dia
Como se fosse o último. Só com o presente
Sem passado futuro. Vida além do aparente
Esse enforquei como o horóscopo já sabia

O homem-moderno-idiota por trás dos bastidores
Máquinas-eletrônicas-satélites-nets-veloz-assiste
Engolido pelo capitalismo e pelo monstro sist
Esse apedrejei no meio da bolsa de valores

Em minha alma também há uma criança
É meu pouco de alegria, inocência e pureza
Não lhe cravei uma faca com vil frieza
Pois é somente este que me dá esperança




terça-feira, 21 de maio de 2013

A vida é assim mesmo


File:Carpe Diem MAN Napoli Inv9978.jpg


Ria! Chore! Dia e noite

Deixa a vida acontecer

Até você morrer











imagem: Cosidetto Carpe Diem
imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org
imagem de domínio público



quarta-feira, 15 de maio de 2013

As aventuras de Pi



Todo homem carrega um monstro no peito
Uma fera furiosa fera fera faminta fera
Que tudo que é bom e humano dilacera
Sobrevivendo do que há no corpo putrefeito

De ira, raiva, ódio e fúria este tigre é feito
Há quem pense que não tem esta pantera
Ela não dorme, hiberna, silente espera
A dor, a sede, a fome, o momento estreito

Veio a tempestade, o medo, sentimento impuro
Despertando o tigre, o mal, meu lado escuro
Tentei domesticá-lo com poesia e canção

Mas é indomável e implacável este gato
Não sei se o liberto, sufoco ou o mato
Ou se o deixo devorar meu coração



segunda-feira, 13 de maio de 2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sou poeta mas não sou romântico

O mundo moderno matou o romantismo
Toda fulga do real é loucura
E toda loucura é normal
Mataria a mim se fosse romantico
Mas ser poeta não me faz mau
Nem mal
Sentimentos verdadeiros e puros
Só acho nas mães
E nos cães
Canis familiares
O cão é da família, isso é lógico
O resto é aperto de mão de vendedor
Sorrisos televisivos
E vc pensava que eu era romantico
Já estaria morto
Que nem a flor do Drummond
Esquecida no meio do asfalto
E porque falo de amor?
Ora, meu amor, isso é a fuga da realidade!
Realidade escrota e fdp
Ou vc quer que eu bote meus boletos nos poemas?
Ou talvez, as faturas, crises matrimoniais,
Chefes de divisão vampiros sanguessugas
Trânsito parado com 39°c
Cancelamento de serviços pelo telefone
Filhos com narizes escorrendo
Eu até poderia...
O catarro verde luz brilhante
Desbotando o sorriso infante
Com rima e tudo
Os 300 de Gideão tiveram mais fé que coragem
É preciso coragem no romantismo
Vc não sabia
(vc nunca sabe de nada)
Ser romântico é difícil
É muuuuuuuuuuito difícil
Mas é preciso
Vamos ouvir o Roberto
O romântico
De tanto amor sua estupidez cavalgada
Amada amante
Acender umas velas
Receita especial de fondue
E vc sempre pede um poema romântico
Aff!!!
Só não me faça dizer que te amo
Subo em vc
Seu corpo é prancha
Surfando um solo de David Gilmour




segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pulga-do-mar


Imagem

Sem canção. Sem língua.

Quando falta a inspiração.

Faço um haikai, à míngua.













Imagem retirada da internet
Imagem muito difundida na net, porém não consegui localizar o author. Se alguém puder ajudar este blog, ficarei feliz em postar os créditos da imagem, essa foto é maravilhosa faz esse animal parecer uma espécie de alien parasita, muito legal!


quarta-feira, 1 de maio de 2013

O conceito de Redenção da Wikipédia


Enfrentei mongóis, romanos e alemães
Persas e americanos, religiosos e ateus
Vi homens morrendo gritando: Deus!
E crianças na guerra chamando as mães


Chorei quando herodes massacrou os infantes
Com os inocentes, sentei na cadeira do dragão
Rasguei minhas vestes e rolei pelo chão
De tanto sofrer não sou o mesmo de antes


A humanidade deixou no meu peito um vazio
Holodomor, holocausto,  hologramas eu crio
Pelos crimes dos homens eu peço perdão


Ou culpa ou amor em meu peito, pequeno frasco
Agora sei porque Cristo perdoou seu carrasco
Porque só o amor pode trazer redenção