quarta-feira, 6 de março de 2013

De profundis clamavi

Estive entre os reis, ricos e belos
Entre os nobres, os famosos e singelos
Lembro do conforto, castelo de manjares
Lírios e narcisos dissolutos pelos ares

Percebi uns risos de escárnio e desdém
Senti uma aversão recíproca também
Porque tenho a pele do sol queimada
Olhos vermelhos e a fronte assanhada


Então, misturei-me à sombra da noite
ao furtivo, à puta, ao mendigo, ao açoite
Aos que choram e serão consolados, amém!


E do fundo do esgoto, entre os cães, digo ai
Sou feio, sou sujo, sou mau, perdoa-me Pai
Se é entre a escória que me sinto bem



2 comentários:

  1. Que profundo, fez-me lembrar de "Os Miseráveis"... Se ainda não assistiu, ou leu, acredito que deva gostar!

    Abraço,

    http://nkpassadopresente.blogspot.com.br/2013/04/alma-gemea.html

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  2. Vou procurar primeiro assistir, pq geralmente os filmes não correspondem às espectativas que crio quando leio primeiro os livros!

    Obrigado pelo comentário Nayane, um abç!

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