quarta-feira, 27 de março de 2013

Catar lixão

Catar no lixão se limita com escrever:
joga-se o lixo para os catadores
e as palavras na folha de papel;
e depois, pega-se tudo o que importar.
Certo, toda palavra se aproveitará,
água de compostagem, por húmus seu verbo:
pois para catar no lixão, viver nele e dele,
e pegar pet oca, eco é som reciclado.

Ora, catar no lixão entra vários riscos:
o de que entre o lixo podre empilhado,
em um saco qualquer, jóia ou dinheiro,
objeto perfuro-cortante, feto morto.
Certo também, quando ao catar palavras:
a jóia e o feto dão vida à frase;
liberta a leitura da leitura banal, trivial,
açula a atenção, isca-a como o risco.




Catar lixão é um poema derivado de autoria de Allisson Franklin da Silva Ferreira,
derivado do poema "Catar feijão" de João Cabral de Melo Neto.


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