quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O pássaro que não sabia cantar


Não me peça poema

Nem uma peça

Não me peça pra falar

Quero ficar calado

De escrever eu gosto

Mas, mas e mas

Não me peça nada escrito

Muito menos bonito

Bolsos rasgados do meu velho paletó

Caíram uns versos esparsos

Que me tinham

O meu tinteiro enchi com sangue

E a pena é de galo valente

Sou bicho de sangue quente

Vês agora que não posso escrever

nada bonito

Sou esquisito

Poeta erudito

Poeta maldito

Sou poeta menor

Na mão tenho espada e escudo

No peito a coragem de um forte

                      e o medo da morte  

Nos olhos uma procissão

              e um pedido de perdão

No ouvido tenho uma oração

E a Nina Simone

Cantando uma canção

Carrego o tempo nas costas

Não me peça uma canção

Não, não e não

Não posso cantar

Tenho na boca um zurro

e o sangue de um murro


5 comentários:

  1. És um Poeta meu Caro. O que mais esperar ou querer, além do que acabou de dizer em "O pássaro que não sabia cantar"? Um Poeta é assim!
    Parabéns!
    Um grande abraço.

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  2. És um poeta! O que mais queres, além do que dizes no Poema acima?
    Va em frente!

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  3. Obrigado Gheramer e Janice, lembrei agora de um professor que me ensinou a diferenciar alegria de contentamento.
    E eu tentei explicar pra ele que isso é difícil porque muitas vezes sentimos os dois ao mesmo tempo, como agora estou sentindo com os comentários de vcs!

    Valeu mesmo

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