quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Namorar um poeta é um problema de comunicação


Você me pergunta porque eu sou tão calado...

Vou além deste corpo
Do verão e da fantasia
Este mundo é (e de) concreto
Aqui não tem poesia

Você me pergunta se eu gosto do seu beijo...

A pressão dos seu lábios
Céu e terra tocando o horizonte
Em saliva nadar e afundar
De mel e absinto és a fonte

Você me pergunta se eu gosto de estar com você...

Se o mundo estivesse no fim
Com poeira meteórica a terra a cobrir
Se estivesse deitado em seu colo
Acho até que iria sorrir

Você me pergunta se eu já te traí...

De repente, não mais...
Vinícius eu sou estranho, sem jeito
Não dá pra enfiar um punhal
Em meu próprio peito

Você me pergunta se eu gosto de você...

Menor somente que o amor
A Cristo, insisto e nunca desisto
De te fazer entender, compreender
Que é meu bem, mais bem quisto

Você fala que não entende bem o que eu digo...

Se você não entende o amor
Então é no mínimo um azar
Namorar um poetinha de nada
Sinto muito, não dá pra mudar...


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As forças invisíveis que mataram Getúlio


File:Occluded mesocyclone tornado5 - NOAA.jpg


Ainda sou o que fui

Brisa e tornei-me em tornado

Mantive-me íntegro







imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org
File:Occluded mesocyclone tornado5 – NOAA.jpg
imagem de domínio público



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vôo de ìcaro

Mote



"Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou"






Voltas



Você já sentiu um nó lá no fundo
Que não faz parte deste mundo
Que não corresponde às expectativas
Um estranho em seu próprio lar
Proibido do amor das divas voar
Voar fugir nas asas da poesia
Ainda que morra pelo calor do dia







*Mote retirado da música "O cara estranho"
  da banda Los Hermanos




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um estranho no ninho





File:Cactus Wren on a saguaro cactus.jpg 
 
Pessoas estranhas são indiferentes

Ônibus lotado! Vida

Cactos no deserto




imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org 
File:Cactus Wren on a saguaro cactus.jpg 
author: Alan Vernon 
imagem de livre cópia e distribuição



O conceito de loucura do Wikipedia é uma loucura...


File:Nicolas-Antoine Taunay - O Teatro da Loucura.jpg




Num laudo psiquiátrico

Todo misantropo é louco

Vida loka vida
 



imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org 
File:Nicolas-Antoine Taunay - O Teatro da Loucura.jpg 
imagem de domínio público



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quarta-feira de cinzas


File:Samba in cold rain.jpg


Cara e sol ranzinzas

Da junção de carne e fogo

Sobram as cinzas




Imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org
Nome: Samba in cold rain.jpg

Autor: Jonik


Eu sou mesmo é Pierrot

Bem que tentei
Em papel e nanquim
Ficar bem travesso
Virar Arlequim
Palhaço Feliz
Que tem coração
Que pinta o nariz
Que faz diabruras
Queimando pinturas
Soltando ataduras
Bulindo as menina
Fazendo ciúmes 
Pra Colombina
Porensmente não sou assim
Ando bem vestido
Pareço enrustido
Tipo branco bonito jasmin
Mas triste triste triste
Tipo crisântemo
Pinto também o nariz
E na cara carrego um choro
Colombina que não me quis
Atrás do trio corre um coro

"Deixa eu brincar
 De ser feliz
 Deixa eu pintar
 O meu nariz"

Ainda não morri
Vou atrás do trio elétrico
Rio e choro aqui e ali
Pula pula frevo elétrico
Veio a música voar
Na passarela do samba
Sou bobo da corte
                      sou bamba
Suor luzes máscaras de cor
Confeiteiros enfeites e confetes
Fantasias bole bole
Colombinas a fole
A matar-me de amor
Faço uma poesia
Canto um samba canção
Carnaval disfarce alegria
Fantasia do meu coração

  

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O pássaro que não sabia cantar


Não me peça poema

Nem uma peça

Não me peça pra falar

Quero ficar calado

De escrever eu gosto

Mas, mas e mas

Não me peça nada escrito

Muito menos bonito

Bolsos rasgados do meu velho paletó

Caíram uns versos esparsos

Que me tinham

O meu tinteiro enchi com sangue

E a pena é de galo valente

Sou bicho de sangue quente

Vês agora que não posso escrever

nada bonito

Sou esquisito

Poeta erudito

Poeta maldito

Sou poeta menor

Na mão tenho espada e escudo

No peito a coragem de um forte

                      e o medo da morte  

Nos olhos uma procissão

              e um pedido de perdão

No ouvido tenho uma oração

E a Nina Simone

Cantando uma canção

Carrego o tempo nas costas

Não me peça uma canção

Não, não e não

Não posso cantar

Tenho na boca um zurro

e o sangue de um murro


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Receba as flores que eu te dou


File:Mojave suncup flower at the mouth of Titus Canyon.JPG

A flor murchou, mas

Flores de plástico não morrem

Não fedem nem cheiram





imagem retirada do site: http://commons.wikimedia.org
autor: Original uploader was Mav