quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fazendo poemas



Fim
Todo poema é um fim
A morte do desejo
Do instante mágico
Da página em branco
Universos de possibilidades
Palavra palavra palavra
Verso
Verso
Verso
Infinitas combinações
Provadas pela análise combinatória
Diante da página em branco
Há o desejo
De fazer o poema
Antes do início
Há o desejo
Antes da traição
Vem o beijo
Antes do início
O desejo é o pai do vício
Quero fazer um poema
Que te componha como água
Que te exploda um sentimento
Mesmo que seja mágoa
Que seja um lírio
Embelezando a lama
Que seja a lama
Alimentando o lírio
Aguardo solenemente
A gênese da idéia
Em caneta e papel
Materialização da fissura
Espero um poema
Que te dá um soco na cara
Com ferro em brasa trisco
Na chaga que não sara
Burca
Vi tudo em seus olhos
Espero um poema
Que te dá um beijo de amor
Que te deixa sem as pernas
E nunca te deixa
Nunca
Porque o amor água
Coração esponja
Por mais que se aperte
Sempre fica um pouquinho
Já sei como vou
Conceber os versos
Nu
E
Cru
Melhor não!
Quero um poema bonito
E poético
E nu
Sou feio
E cru
Sou sarcástico
Serão mesmo só palavras coisas versos universos
Palavras combinadas
Coisas vividas
Ou imaginadas
Versos vadios
Universos reversos
Pra publicar e entregar
Um filho ao mundo
Que não foi de mim
Nascido
Mas arrancado, extraído
Expelido
Fica o copo
De rum vazio
Das planícies, planaltos e platonices
A mente volta ao papel
Percebo triste agora
A folha está cheia
Então fico aqui
Aguardando solenemente
Que em mim nasça
O desejo
Que é o início
Que preencha o vazio
Depois da página em branco
Branca tela e aquarela
E do desejo nasça
O poema
E ponha fim
Ao
Fim


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