quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vida toda linguagem




E o verbo se fez carne
Ação e pensamento
Conjugado em matéria
Húmus biológico

Verbo Verbo Verbo
Essência divina, perfeita
Em línguas de fogo
Nesse caso, advérbios são desnecessários

Qualquer coisa
É o que é
Botamos-lhe um adjetivo
Beleza frágil

A linguagem é
Não imita nem representa
Um signo vários significados
Todos parte da mesma dimensão

A vida é toda linguagem
Escrita corporal metafísica
Substantivos são substâncias
Essências das idéias primigênias

Saí da caverna
Platão estava errado
Descobri a verdade
No meu primeiro poema

Criação artística
Idéia perfeita este poema
Porque antes mesmo de nascer
Já estava concebido

Pega carona nessa cauda de cometa
Ver a  via-láctea, estrada tão bonita
Cometa-poema correntes de Andrômeda
Homem-cometa rumo ao infinito

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eu queria colocar no poema




Nem todo o talento de Rimbaud
E a mágica da sinestesia
Dar-me-iam  um help agora

Vejo todas as sensações
E não sinto nenhuma
Nem outra

Compartilhe comigo, se puder
Em meu sofá pós- moderno de couro sintético nas cores da moda
É preciso sensibilidade poética

Para que possas sentir
O mais delicioso dos aromas:
Mulher pós-banho

Enquanto ouve
 'Singin' In The Rain
Em long play é claro

E vendo Gene Kelly
A bailar; ou Malcolm
MacDowell a espancar

À frente da TV
Enquanto saboreia um delicioso
Conservantes, corantes, aromatizantes, acidulantes, antioxidantes...

Que culminará em sonolência
Ataque de súcubo
E toque de zentai





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tratado sobre a ansiedade e o amor




Espinho amar espezinhar
Amor à flor da pele
Espinhos e flores
Escuros e cores

Não há espaço no amor
Para a terrível dialética
Estupre-me suavemente
Beije-me violentamente

Não, não me venha com o neutro
De cima do muro
O beijo é morno
Dá-me um tapa que perdoo

Amor montanha russa, não carrossel
Não interessa o que tu não fez
O que não alimenta a paixão
Separa-nos de uma vez



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Blackout


Caminho pelas ruas à noite
As luzes me cegam
Percebo apenas o contraste
Entre luz e sombras

Percebo os movimentos
Rápidos furtivos assustadores
Sigo com as mãos nos bolsos
E o som dos bêbados

Pensamento transcende
Lama, baratas, som do metrô
E o mau cheiro que os mendigos
Usam para demarcar território

De repente, não mais que de repente
Blackout
Disparo de geradores de energia
Luzes fracas perante a força da escuridão

Então olho para cima
E há muito que não via as estrelas
E são lindas e brilham e piscam e brilham
Lua encoberta pelas nuvens

Pensamento transcende
Ao céu
Planetas estrelas supernovas cometas buracos negros nebulosas...
A casca de noz

De repente, não mais que de repente
Medindo a via láctea
Olhando para o infinito
Surge a minha pequenez

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Exoesqueleto


O vento perturba
A estrutura harmoniosa
Do meu mullet
Isso me perturba

Os mísseis chegam em cuba
A guerra fria fica quente
Jaqueta e jeans rasgados
São meu exoesqueleto

Bug do milênio
Gripe suína
O fim do mundo dos maias
O rock morreu com Cobain

Sobrevivi a tudo
Eu não vi, mas eu creio
Meu jumento vê o anjo e desvia
Eu não vi, mas eu creio

Sem acender a luz
Olho em baixo da cama
O bicho papão, sou eu!
Acho que a infância acabou


Sentado na areia
Olhando pro mar
O anjo do tempo ao meu lado
Ele sorri com um canto da boca

Ele sabe que...
Ainda tenho medo do escuro
No presente, rimos do passado
Sem pensar no futuro