quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Esporre os spoilers




Máquina de escrever
Máquina registradora
Máquina calculadora
Máquina homem

Passei e passo
Por muitos mundos
O fantástico de Bob
O filosófico de Sofia
O mágico de Escher
O ácido de Syd Barret

Estou agora
No incrível de gumball
Que reúne mundos anteriores
E interiores

A vida tem graça
Mesmo vc sabendo o final
Porque quem acredita
Mesmo que morra viverá
Mas a graça, afinal
É descobrir por si mesmo

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Poeminha de fim de tarde




Estou velho
Agora sou nostálgico
Lembro mulheres que não amei
Mas que me amaram

Escrevo um poema
Sem fúria
Sem a força jovem de Rimbaud
Mas sem pensar no que acabou

Rimo xícara com queijo e café
Sinto um calor que vem do chão
E um olhar típico de Drummond
Talvez esteja Gauche

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Eu quero te dar um amor




Um amor diferente
Porque é assim
Que eu sou assim
A cada dia pra sempre
Um amor simplório, singelo, belo e inglório
Malabares no semáforo

Você já percebeu
A beleza nervosa
Das folhas de um bambuzal
Tremendo, brilhando
Ao vento, ao sol
É nosso amor

É o amor que posso te dar
Que exige ações recíprocas
Carinhos e adulações
Bonito, humilhante
Um drible desconcertante
É nosso beijo

OOOOOOOOOOOLÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!


Orarei a Jesus por sua saúde
Não toque nos meus discos e livros
Mesmo te amando
Ficarei puto!
Rápido inconstante
Vôo de libélula

E você vai querer esse amor
Porque no fundo sabe
Que apesar de silencioso
É o olhar dos caminhantes em procissão
Ele é verdadeiro
É o olhar de Van Gogh no auto-retrato

Se a verdade te machucar
Mentirei
Se a piada for conhecida
Sorrirei
Se estiver no SERASA
Pagarei
Se precisares de um rim
Doarei
Se quiseres panquecas
Cozinharei
Se surgirem estrias, varizes, celulites...
Cegarei
Se o labor for difícil
Ouvirei
E quando triste chorares
Chorarei
Se me pedires um filho
Darei
 Se precisares amar
Deitarei
Se não tiver muito a fim
Fingirei
Se precisares amar
Amarei

O amor que eu quero te dar
É como este poema
Mesmo que perca o padrão
De estrutura e versificação
Terá saído do meu coração
Você vai querer?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Proibido para menores de 18 anos





Sim!
Agora, sim!
Circulando livremente
Entre os adultos
Quantas novidades
Explorer a vida adulta
Quantas novidades
Sinto tantos filmes
Quantas novidades
Cheiro tantos sabores
Quantas novidades
Beijo tantos pecados
Quantas novidades
Misturo-me à noite com rum de coco
Quantas novidades
Quantas novidades
Quantas novidades
Quantas novidades
Finda a juventude
Finda a adultice
Quantas novidades
Não são mais
É o tédio!
Oh! Baudelaire, bem me avisastes!
Sei que estou velho
O sintoma: o saudosismo
Eu sou a mãe
Eu sou o filho
Dou adeus ao filho
Que vai à guerra
Adeus! Pipa!
Adeus! Baladeira!
Adeus! Carrossel!
Adeus! Bolinha de gude!
Adeus! Inocência!
Por isso, velho
Ajo como criança