segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sandman - Estação das Brumas (capítulo 1)

MOTE
Que a misericórdia do Senhor
Se estenda aos suicidas



VOLTAS
Era uma vez um lugar
Que não era um lugar
Um local de dor
E chamas
E gelo
E pesadelo
É o Hades

Lar das almas 
Desesperadas
E não aparentes
Lar dos que foram amados
E não amaram
Ou vice versa
Em verso
Lar dos suicidas?

Um romance
Entre o Sonho e Nada
Um flerte 
Na escala do tempo
De duração das galáxias
E se o amor não acabou?
E se não fizermos o que devemos fazer?
É o destino?
Quando não temos escolha

Um brinde:
Aos amados ausentes
Amores perdidos
Velhos deuses
E à Estação das Brumas
E que cada um de nós
Sempre dê ao demônio
O que lhe é merecido
E sempre dê ao Senhor
O que lhe é de direito

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Sandman - Estação das Brumas (Prelúdio)

Eventos sórdidos
São postos em movimento
Brumas
No jardim do Destino
As trilhas se bifurcam
Você sonha com as estradas do destino
Com os passos dados
Com os que não deu
Destino mantém seus segredos
Pois os caminhos são longos
Destino cheira a bibliotecas empoeiradas à noite
Não deixa pegadas
Não projeta sombras

Um dia você chuta uma pedra
Em um dos caminhos que escolheu
Ou foi o caminho
Que escolheu você?
Pedras que se movem
Um segredo
Bifurcacões
Polissemia de "pedra"
Opala
A pedra lavrada
A pedra ungida
A pedra chutada
Que o construtor ignorou
Que a criança pegou
Que a criança jogou
Virá a ser jóia?
Virá a ser utensílio?
Virá a ser construção?
Ou pode ser a primeira
A pressionar teu caixão?

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Jimmy O Detonador

Então
Jimmy
Jimmy O Detonador
Saiu a detonar tudo por aí
Detonando Detonando e Detonando
Primeiro explodiu os valores da família
Explodiu a punição
Explodiu a recompensa
Explodiu as ordens
Explodiu depois os valores da nação
Explodiu a ordem
Explodiu a bandeira nacional
Jimmy O Detonador
Jimmy explodiu os valores sociais
E toda que regra de convívio
Que lhe empurraram goela abaixo 
Jimmy O Detonador
Nunca soube o que é amizade
Apenas explodir
Explodir Explodir e Explodir
Sentia que pra isso nasceu
Antes de perder alguma coisa
Era melhor explodi-la
Jimmy O Detonador
Antes só que abandonado
Era necessário explodir o que é velho
A tradição
O passado
Explodir no presente
Explodir tudo
E do caos 
Surgirá o novo
E as cinzas fertilizarão a terra
Jimmy O Detonador
Jimmy vive no limite
No limite da sanidade
Na borda
Borderline
Jimmy O Detonador
Algo não deixava Jimmy partir
Partir pra outra dimensão completamente
Era uma crença bem pequena
Bem no fundo do seu peito
Entre a pólvora e a chama
Jimmy O Detonador
Acreditava na humanidade 
No amor
A Islandia acredita em gnomos
Ele também
Um pouco de bondade 
Um pouco de carinho
A compaixão humana
Jimmy O Detonador
Todos pedem a a Jimmy 
Não exploda o amor
Nem os dentes de leão
Nem os peixinhos de aquário
Jamais exploda uma loira sensual
Ou gnomos
Nem jardineiros
Nem enfermeiros
Tampouco poetas
Veja Jimmy
O mundo pode ser um lugar bonito

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Precisando de atenção

Botando as coisas pra fora
E botar pra fora
As coisas que estão dentro
Figuras horrendas do subconsciente fiquem onde estão
Palhaços assustadores
A escuridão completa
Crimes sexuais
Todos os fracassos
E filmes de terror
E outros

No mundo exterior
Ando por aí
Por acolá
Catando lixo
Não lixo, lixo, lixo, lixo mesmo
Catando o que jogam fora
O que não usam mais
Catei pelo mundo
E levei, lavei e guardei
Um cofrinho quebrado
Cheio de sonhos ainda
Pássaros esperançosos
Cadeiras preguiçosas
Couves-flores
Buquês de flores
Só os Buquês de flores meio murchos revelam a essência da paixão
Sapatos velhos que andaram em tantos lugares
Existem outras pessoas
Procurando como eu
O que ninguém mais quer
Um pouco de gentileza
Uma ficha telefônica
Por aí, catando, reaproveitando
Reciclando
Cato qualquer tipo de amor que achar
Pode estar velho
Quebrado
Ultrapassado
Cato toda migalha de amor
Em olhares, sorrisos, apertos de mão, abraços, beijos, palavras suaves...
Quem já catou o amor num olhar materno?
Certa vez, achei um gatinho de plástico chinês
Que sorte!
Não mexia a pata
Então não servia
Gatinho de plástico chinês
Onde estão seus donos?
Por acaso, estás como eu a procurar?
Uma casa-corpo para te abrigar?
Te levarei comigo
E se gostares de mim
Nos completaremos
Estou meio quebrado agora
Mas ainda posso servir

terça-feira, 10 de maio de 2016

Fugere urbem

A net caiu
A comunicação caiu
O  trabalho caiu
Só não a vida
E olhei a realidade
Humanos ao meu redor
Coisas vivas em derredor
Um pensamento meio autista eu sei
Pessoas são estranhas
Jim Morrison era estranho
Um estranho barbudo e barrigudo
Hoje barrigudo é comum
E ser barbudo está na moda
É que o mundo parece estranho pra mim
Por que enterramos as pessoas com jasmim?
Então fugi pra cá
Prum poema
Diria Bandeira
Num escapismo ultra mega hiper romântico
Roberto Carlos e um gato no azul
A chuva púrpura de Prince
Cazuza azul...

                         e amarelo.

E aqui está tudo tão claro
Entre os versos, entre as rimas
Entre pernas, entre meninas
Chamas lilases
E um ritmo bebop ao fundo
Bebendo algo gelado
Pra esquentar o clima
Nenhuma conversa
Apenas algumas fadas
Gatinhos azuis
Gnomos amarelos e beijinhos
Cheiro de terra molhada
Choveu
Borboletas me fazendo carinho

As coisas ficam muito mais claras
Quando estão subentendidas

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Destrua-me



Seja luz, calor!

Destrua-me escuridão e frio

Me transformando

Procurar

The wanted
A poesia
Ainda procuro a poesia
Nos poemas 
No meu mundo
Num beijo de lábios macios
Ácido lisérgico
Estado letárgico
Cheiro de livro novo
Cheiro de livro velho
Cheiro de mulher pós banho
Procurando poesia 
E o prazer poético
A poesia
Onde andará?
No mundo digital?
Em baixo das pedras?
No fundo do mar?
Num desfile da Portela?
Numa música aquarela?
Talvez
Sempre procurando
Procurando o que esqueci no poema
Mas vc pode achar
O que vem por trás da minha alexitimia
Da tristeza que escondi
Por trás de um verso

Da alegria que deixei atrás da palavra
Lutar por algo e conquistá-la
Amá-la 
Palavra
O amor que escondi embaixo do capacho
Bem vindo!
E vc pisou 
Passou por cima sem saber
Havia tantas coisas ali que batizei de amor
Escondi traumas nas rimas
Todos os sentimentos escondidos
Na estrofe única
Tudo escondido
Quem achará  a poesia
Anjos montados em corcéis?
Demônios cavalgando em bordéis?
Quem achará meu desejo?
O que escondi no poema
Acharei quem me ame?
Acharei a quem amar?
Procurando
Sempre procurando
Perguntas demais me confundem

A poesia é um sentimento
Fogos de artifício que sentimos no peito
O amor é nascente de rio
Também fica no peito

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Desejo silente

Há muito que não escrevo
Há muito tempo
Há muito o que escrever
O tanto da vida
Até onde o sopro de vida for
Mas eu sinto
Sinto uma pequena brasa
Que está sob o pé
Um desejo silente de escrever
De ver um poema nascer
Porque ainda sinto
Ainda sinto 
Todas as dores
E amores
E tremores
Enquanto viver
Terei que escrever
E não importa se é bom ou ruim
Isso é uma questão de relatividade
E há tantas coisas 
Isentas de relatividade
O primeiro choro ao nascer
O último suspiro ao morrer
Borboletas azuis nos campos de girassóis
Quando quase beijamos pela primeira vez
Um casal idoso
A cura de um leproso
Se eu conseguisse ver um anjo
E se eu voasse entre arco íris
E poemas marginais que voam
À margem de toda estilística
Hj pensei muito em vc
Na vida sem vc
Em sentimentos silentes
E por que todo amor verdadeiro
É negar a si mesmo
De forma silente egoísta e contraditória
E negar o que sentimos
Pra ficar com quem amamos
É a forma mais vil de egoísmo
O amor é silente baby
Caracóis que se movem
Como o sexo matinal
E meu desejo guardar
Por trás do meu olhar
Pra vc descobrir

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Quando dormia bêbado na rua era o sol que me acordava

Voltei
Sou junkie baby
Uma espécie de super bactéria
Que teima em não morrer
Voltei
Da escuridão
E da lama que usei
Pra obscurecer meu coração
Odiei
Com pus e absinto
Como um tigre faminto
Caminhei nas trevas
No lado mais negro da força
Abraçado com o medo
Enforcado em prazeres
Flores e flores odores podres
Manias maníacos manicômios
Fêmeas efêmeras e pherômonios
Mulheres vulgares que amei
Em camas de concreto
Fazer coisas sem sentido
Sem os sentidos
E para os sentidos
Não me explicar
É tipo assim
O que não mata fortalece
O corpo envelhece
E não morro
Sou junkie Baby
Se vc se embriagasse
Chapasse
Ficasse doidona
Aí veria claramente
Veria a poesia que eu vejo
Que chega como sol
Aquecendo a pele
Queimando o orvalho
E essa luz que agride meus olhos embriagados
Me contenta
Pois vejo a verdade
E choro
Com alegria mergulho em lágrimas
E surjo
Com a valentia cavalgando em meu peito
Estou forte agora
E amo
Venha fogo!
Acender meu espírito
Ascender meu espírito
Agora posso ver
Pétalas e luz
Agora posso sentir
Sol girassol meu coração
Agora posso esquecer
A morte da Bertoleza
E de sua verdadeira beleza
Já falei sobre isso
O melhor dos aromas
Mulher pós banho
Abacaxi com pimenta
Sabe pra onde o trem da loucura leva
Pra uma poesia de Randy Rhoads
On the road
É isso baby
Pé na estrada
Te espero com amor e paixão
Depois daquele arco íris

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Insight

Zumba Zmbido Zumbi
Ando no mundo
Como o mundo anda
Numa histeria controlada e latente
Vida cibernética
Estado letárgico
De um vício sintético
Açucar dietético 
(Mais um grande paradoxo)
Também ando assim
Como o mundo anda
Uma loucura controlada e aceitável
Quando toda loucura for aceita
Ela não existirá
Pois toda loucura legítima é inaceitável
Ontem enquanto esperava
Meu Rivotril fazer efeito
E ouvia uma música  Follow me
Uma música que fala de proteção
Em 45  rpm
E quando olhei pra vc
Lembrei que te amava
Que te amava muito
Não é que tivesse esquecido
Mas me veio essa lembrança na mente
Como um insight
Um insight paradoxal
De descobrir o que já se sabe
Tentarei me esforçar mais
A verdade é que amar demanda algum esforço
Não deixemos amor
O amor à margem do mundo
À margem da vida
Andando em nós por aí sob a pele
Sendo executado em segundo plano
Te amo
Apesar dos pesares
Te amo 
E tentarei vestir esse amor
Será vestimenta
Que andará comigo por aí
Será visível
Confortável
Me cobrirá
Me aquecerá
Me protegerá
E nas noites de chuva ou frio
Colocarei em você

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Unicornios&outrasdrogas




Passo um tempo
Às vezes
Sem poesia
Me falta uma parte de mim
Boa ou má?
Não sei
Maldito Platão! 
A tirar a beleza perfeita e insuspeita
Das coisas terrestres
Se não somos perfeitos 
Por que o amor seria?
Entre luzes de faróis
Os sons da cidade executam-se em uníssono
Já não me incomodam
Os cheiros degradantes
Das cidades grandes
Preto cinza branco
Efeitos degradês
Das cidades e das grades
E das ansiedades
De viver hoje o amanhã
Mas sou junkie peixinho
Fortaleço-me em ambientes hostis
Escrevendo
Sobrevivendo
Sobrescrevendo
Na metópole me disperso
Em longo wifi
Mas o que me completa ainda?
Faço uma palavra com letras do verso acima:
Dolantina
Poesia que alivia a dor
Isso mesmo peixinho
Por isso ela me completa
Vc já sabe 
É hora de poesia
De unicórnios e outras drogas
E enquanto a mente se contorse e dispersa 
Em distorções guitarrísticas do Kasabian
Acelero meu velho Mustang
Com a boca dormente
A olhar através dos meus olhos 
Como se eles fossem janelas
Ou uma câmera de baixa definição
Vc em meu peito
Faróis postes que passam
Vejo um balé de mendigos
Putas e fadas
As que voam e as que fazem voar
É óbvio
Obliviate que me faça esquecer
O mustang voa
Passo por meteoritos e cometas
Bêbados em andrômeda
Ei, garçom!
Há carpas e kings no meu drink
E haikais nos guardanapos
Não os leve
Só quero saber se foi eu quem os fez
O gelo derreteu
É fim do inverno
Voe mustang, voe!
Entre unicórnios
Vamos proclamar bem alto
A todos os orcs da terra média
Vcs podem ser bons
O destino final não importa
O caminho não importa
Como vamos não importa
Ou com quem
Só importa a escolha
O dever e poder de escolher
Tudo bem, mustang...
Se quiser
Seja unicórnio

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Avante, titãs !!!

Shingeki no kyojin


Hey, mãe
Eu tenho uma guitarra elétrica
E já não esquento a cabeça

Hey, mãe
O gigante Golias
O gigante Prometeu
O gigante de João
O gigante de Eren
O gigante de Jack
O gigante do Pão de açucar
O gigante interior
O gigante acordou

Hey, mãe
As metrópoles são gigantes
E todos os gigantes devoram pessoas
Eu olho as cidades
A devorarem as pessoas
Com violência
Com trânsito caótico
Com trânsito narcótico
Consumindo-as com consumismo
Com ansiolíticos e emsimesmismo
Com e sem maniqueísmo
Com ideologias e apologias
A população obesa
Parasitas do gigante
Em relação simbiótica
Simbiose
Pessoas, Predadores, presas  e parasitas
Os muros e as grades
As pessoas e as cidades

Hey, mãe
É por isso que prefiro sair à noite
O gigante parece dormir
E saio por aí
Com poetas, bichos, baratas, ratos
E outros bichos escrotos
Que ao gigante não interessa devorar
Metrópole, Erisictão é o teu nome

Gigante a alimentar-se de si mesmo
Simbioticamente
Eternamente

Tipo ouroboros

Hey, mãe
O gigante me dá medo
Por isso não desperto
Meu gigante interior
Poderia o peixe
Rebelar-se contra a água em que vive?
Poderiam as andorinhas
Rebelaram-se contra vento e o céu azul?
Poderia a luz das estrelas
Rebelar-se contra a escuridão do cosmos?
Não posso mais rebelar-me
Já não saio mais com Jimmy
A explodir a cidade
Não há mais o que explodir agora
Quando descobrimos
Que a cidade somos nós

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Esperando...

Há muito espero pelo amor
Desde o nascer das eras
Do surgimento das moneras
Do primeiro grito de dor

Como a rocha 
Espera a onda
Quem aborta
Espera a sonda
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que ainda não era
Desde a primeira primavera
Em que morreu a prima flor

Como o doente
Espera a cura
E a serpente
A noite escura
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que uma vil quimera
Me deu o bote da pantera
E me acompanha aonde eu for

Como a presa
Espera a fera
E o dente
A dilacera
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Ouvindo blues em gramophones
Compartilhando em i-phones
Quem eu era e quem eu for

Como o feto
Espera o parto
E o obeso
O infarto
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Vi poema sem poesia
Sem a noite vi um dia
E arco íris de uma só cor

Como o inocente
Espera a forca
E o beijo quente
A fria boca
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

Há muito espero pelo amor
Desde que me sinto assim
Que falta alguém e algo em mim
Que se renova ao sol se pôr

Como o enfermo
Espera o anjo (que move a água)
E quem amou
O fim da mágoa
Ainda espero o teu chamado
Ainda espero o teu amor

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O ilusionista

Fiz belas todas as ilusões
Com palavras ditas e não
Usei as cores sem saber pintar
Colori alguns sentimentos
Com as cores do arco-íris
E o brilho das nebulosas
Traços retos como a chuva
Traços curvos e suas curvas
Sem saber pintar
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Com palavras ditas e não
Fiz músicas belas e constrangedoras
Sem saber as notas musicais
Pensamentos dissonantes
Amores desarmônicos
Fiz de um beijo um lindo refrão
Arranjos de cordas
Arranjos de flores
Sem saber os tons
Ou semi tons
Um pouquinho Tom Jobim
Sem saber das notas
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Com cores
Com música
E com movimento
Está completa a ilusão
É a mágica do cinema
Mas o fiz com palavras
Sou um grande ilusionista
Fiz poema tipo filme
Sem saber nada de cinema
A caminhada tensa das grandes cidades
Tantas caras estranhas e indiferentes
Sons metálicos e metropolitanos
Até que dei um close em seu olhar
Demorando tipo Kubrick
Câmera estática
Beijo de língua em Bullet Time
Enquanto a vida desmorona em estrofes
Enquanto construo uma ilusão em versos
Enquanto apenas foco em seu lindo olhar
Revejo o roteiro das ilusões lançadas
Será o amor um efeito especial?
Vamos ter que rodar esta cena
Novamente
Repetidamente
Até que eu decore minha fala
Só lembro a última palavra: ...amor!
Sem saber nada de cinema
Como fiz isso
Com poemas
Com ilusões
Ou com amor?
Lembrei minha fala
- Não se faz poemas
Só com palavras
Só com ilusões
Ou só com amor.
Te fiz poemas
Com mil palavras
Mil ilusões
Talvez amor.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Quando imaginamos

Tem gente que não imagina, imagine só
Vive aquilo que aos olhos se apresenta
Vive o que ganha e o que aguenta
Até que os ossos do pó volte ao pó

Que a vida é rápida e a morte é lenta
Que amarra a alma um frágil nó
Que todo mundo é um pouco Jó
Quem imagina quando para e senta?

Imagine só, se um cigano te falasse
Ou se teu médico duramente decretasse
Que vivo amanhã não acordarás

Imagine o desespero, o choro, a aceitação
Se despedir de quem ama e pedir perdão
Imagine a verdade e a verdade verás

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Poesia de um tempo qualquer

Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Porque é de tempo nenhum
Volta ao passado
Foge do presente
Viajando no futuro
Espelho que reflete nosso ser
Espelho de Harry Potter
Que apaga o que eu queria
E já não  quero mais
E despedaça os desejos futuro
Dissecando os sonhos do presente
Língua saliva lembrei beijos do passado
E todos os beijos que me há de negar
Por pura crueldade
Guardando os beijos que quero dar
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
É óbvio que lembra da minha infancia
Porque nesse tempo eu podia voar
Podia amar simplesmente
Perdoar sinceramente
E sorrir desinteressadamente
Só não podia ser adulto
E todas as lembranças e doenças da velhice
Aceitando mansamente o tempo presente
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Que fará vc lembrar dos amores 
Que não deram certo
Mas que vc lutou por eles
Entrega de corpo e alma
Que dissipa o corpo
Que dispersa a alma
Mas os beijos até que foram gostosos
Ensinando o que vale a pena
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã
Em que eu lembrei de vc
Será que vc ainda lembra de mim?
Eu era tão tolo
Talvez por isso feliz
É lógico que achei um tesouro
Bem no fim do arco íris
E bebi e dancei feito louco
Numa festa de gnomos
E foi lá que te conheci
E foi lá que peguei a bolsa de pandora
Quase vazia
Peguei emprestada
Guardei nela todos os beijos negados
Sonhos frustrados
Amores perdidos
A fé nas pessoas
E todas as lembranças
Que já esqueci
Já havia algo lá
Não lembro bem o que era
Só me lembro de vc
E das loucuras que fazíamos
Porque me faziam feliz
E tudo o que fazemos são lembranças
De um futuro que se apresenta
Pelo menos amei
Não perca tempo
Me ame também
Escrevi um poema ontem
Para ser lido amanhã


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Como crianças na praça

Tocamos flauta
E não dançastes
Lamentamos
E não chorastes
A quem escrevi meus poemas
Os que não foram lidos
Fiz um poema de amor
Do peito escrito
Com sangue escrito
E quem não leu?
Meu poema de amor sem palavras
Que escrevi com meu beijo
Meu olhar
E meu sorriso
Por que não lestes?
Fiz um poema de morte
Sempre deveras mal entendido
Pois que fala da vida
E do medo da morte
Algo intrínseco na vida
E o decorei muito com rimas
Decoramos a morte com flores
Fiz poemas leves e alegres
Pipas e dentes-de-leão
E sorriso bobo de mulher apaixonada
Bebê que ri enquanto dorme
Peixinho coloridos será que sorristes?
O que fiz dos meus poemas?
O que fazer com meus poemas?
Sempre parecidos comigo
Tipo fera selvagem que caça
Tipo presa que aguarda o bote
A quem escrevo?
A quem falo da minha vida?
Dos meus sonhos
Dos poemas que amo
Porque o sentimento mais verdadeiro do mundo
É amar a si mesmo
Sentimento traído por todos os suicidas
Pois que agora farei rimas
De agora em diante
Farei um poema de instante
De meu momento inconstante
De um sentimento rompante
Que te darei como abraço
E te prenderá como laço
E te ferirá como aço
Do que sinto e do que disfarço
Vou escrever num só verso
O todo do meu universo
Que em mim me disperso
Que o contrário de mim é inverso
A quem faço este poema
Feito por alma pequena?
Constristada e serena
A quem desenho esta cena?
A todo que ler digo
Que estou nos poemas que fiz
Que fiz com meu coração
Que fiz por amor
Que fiz por dor
Que fiz pra te ferir
Que fiz pra te beijar
Não sei as notas da música
Que me fazem chorar
Também não faço poemas
Com palavras
Faço com carinho e inocência
Porque fui criança
Às vezes com raiva e revolta
Pra poder me quebrar
Me cortar com meus cacos
E após dispersar me refaço
Juntando pedaço a pedaço
Faço poemas dos nãos que recebi
E com os restos do jantar
Do beijo que me negaste
Com minha oração de louvor
A ti faço poemas
Do bebê abortado
De meu campari com laranja
Do meu voto perdido
E do que vi no fim do arco-íris
Não faço poemas para gostares
Einstein disso que isso é relativo
Mas para que sintas
Por que é assim que celebramos
Por que é assim que sabemos
Que estamos vivos

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Once upon a time

Busquei a poesia loucamente
Bati na porta dos dragões
Levantei do abismo os alçapões
Saltei de sol em sol
Procurando a beleza tola
A que existe sem motivo aparente
Busco a poesia toda tola e inconsequente
Na profundeza escura do mar
Na luz intensa que cegou Paulo
Anseio pela beleza e pela poesia
Porque é sem porquê
Cacei a poesia nos bosques
Entre os faunos e bacos
E outras ilusões etílicas
Traguei café com haxixe 
E vislumbrei poesia vidente
Um relance de poesia 
De soslaio
A Poesia que sustenta
É a mesma que me mata
Leite materno envenenado
Um corpo quente
Macio e delicado
E me vejo feliz em teus olhos espelho
Viagens no tempo
A poesia não está no futuro
Nem no futurismo
Tampouco no passado
Quando crianças não sabemos
Se somos felizes ou não
Então busco a poesia no presente
E a me dou de presente
Depois de um exaustivo dia pós moderno
Trânsito stress trabalho stress má alimentação stress raiva diabetes e insônia
Stress  ambulâncias stress bala perdida stress frustrações desemprego e luto
Ódio
Stress Estress Estresse
Hoje achei um pedaço de poesia
No final da faixa de pedestre
Quase caindo no bueiro
Guardei-a rapidamente no bolso
E ao chegar em casa 
Me dei de presente
Orei agradecendo o jantar
Jantei
Fumei um pouco
Dormi um pouco em frente da tv
E em seguida
Antes de me deitar 
Comi aquele pedacinho de beleza que achei
Poesia que dissolve no céu da boca
Boca com luas e estrelas
Lembrei de aventuras da infância
De vitórias e aprovações que tive
De momentos doces com a família
De risos abertos com os amigos
Quatro estações e primavera de Mozart
Carpas coloridas
Perfume de Grenouille
Uma experiência espiritual
E me deitei tão feliz de estar vivo
E adormeci tão feliz ao seu lado
Que já não é tão bela quanto antes
Mas me ama muito mais 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Contando o tempo

Contei o tempo em verões
Contei luas cheias no céu
Ampulhetas de areia
Calendário maia chinês judaico romano
Caleidoscópio de tempo humano
Conto as ondas do mar
Rebentando na praia
Faltam quantas pra você chegar?
Tenho tara pelo futuro
E pelo que há de vir
Um música do passado
No balanço das horas tudo pode mudar
Mas quando você chegar
O tempo vai parar
E esquecerei de todos os astros
Que contam o tempo
E ficarei tão feliz que dançarei
Com Gene Kelly na chuva
Chuva de meteoros
Meteoros de Pegasus
Mas quando você chegar
Não haverá quandos
Conjunções subordinativas temporais
Você chegará simplesmente
E guardará todo tempo do mundo
Pressionado em seus lábios
Esconderá as horas detrás dos seus olhos
E o movimento de translação em seu colo
E caminho meus dedos
Num calendário tatuado em seu corpo
Cujo o último mês do ano
Se chamará paixão
E o último dia do ano
Será feriado: Dia do amor
E a último instante do dia
Será um segundo do seu sorriso
Antes de expressivas reticências ...

sábado, 3 de maio de 2014

Terra em transe

Terra em transe
Em trânsito
Em transa
Terra que transito em transe
As coisas não mudam
Nós é que mudamos
Mude a si mesmo
E mude um país